07/06/2009

Originais do design moderno na Passado Composto Século XX

 "Três pés", de Joaquim Tenreiro, produzida em 1947 


De 10 de junho a 25 de julho, a loja Passado Composto Século XX, em São Paulo, exibe móveis, objetos e tapeçarias originais dos designers Joaquim Tenreiro (Melo, Portugal, 1906 - São Paulo, 1992); Sergio Rodrigues (Rio de Janeiro, 1927); Jorge Zalszupin (Varsóvia, 1922) e Jean Gillon (Iasi, Romênia, 1919 - São Paulo, 2007).

 

 "Mole", de Sergio Rodrigues, de 1957

A exposição "Sempre Modernos" reúne 40 peças, parte proveniente do acervo da loja-galeria e parte vinda de coleções particulares. Ícones do design brasileiro, como a "Três Pés", de Tenreiro e a "Mole", de  Rodrigues, podem ser vistas junto a trabalhos menos conhecidos, "mas igualmente significativos para o design brasileiro, como as peças que Jorge Zalszupin desenvolveu para a L’Atelier e que Jean Gillon criou para empresas como a WoodArt, uma das pioneiras em exportação de móveis", escreve a curadora Adélia Borges, jornalista e professora de história do design.
 

 Carrinho de Jorge Zalszupin, de 1960

Os quatro designers, segundo Adélia, "professam o ideário de um móvel honesto, com formas simples, livres de ornamentos, e com cuidados de projeto e execução, expressando uma qualidade integral". Adelia também acha importante ressaltar que três deles são arquitetos. "Sergio Rodrigues, Jorge Zalszupin e Jean Gillon chegam ao móvel a partir de uma compreensão do espaço, uma visão de uma nova arquitetura de interiores. Joaquim Tenreiro, a exceção, é filho e neto de exímios marceneiros, circunstância que lhe permitiu sedimentar um profundo conhecimento da madeira".

 Cadeira com braços de Jean Gillon, de 1965


A Passado Composto Século XX foi criada em 2002 e é especializada em móveis, luminárias, peças e objetos modernos, principalemte de designers brasileiros e escandinavos. Entre os brasileiros, Tenreiro, Rodrigues, Geraldo de Barros, Lina Bo Bardi, Giancarlo Palanti, Michel Arnoult, Zalszupin, Zanine Caldas, Gillon, Sergio Bernardes, Carlos Millan e Alexandre Rapoport, além de peças da Branco e Preto, do Liceu de Artes e Ofícios, da L’ Atelier e da Mobilia Contemporânea.


Exposição “Sempre Modernos”
Curadoria: Adélia Borges
Projeto: Giancarlo Latorraca e Rodrigo Bueno
De 10 de junho a 25 de julho (segunda a sexta-feira, das 10h às 19hs; sábado, das 10hs às 15h)
Passado Composto Século XX - Al. Lorena, 1996, Jardins, São Paulo

Mara Gama às 18h43

27/04/2009

O artificial das novas peças dos Campana

A Edra, casa que edita os produtos dos irmãos Campana na Itália, tem sempre estandes supervisitados, lúdicos, com iluminação dosada para um clima de diversão, boate.

Este ano o espaço brilhou ainda mais.

A nova coleção dos Campana está repleta de espelhos, tecidos e materiais que se afirmam como ultra-artificiais, metálicos.

A mesa "Brasilia" tem novas cores fortes.   Um "espelho" de colocar na parede é todo feito de espelhos amarrados.

Há um novo aparador todo feito com espelhos coloridos e recortados.

 

As cadeiras que eram feitas de couro e tinham um toque manual foram transformadas e ficaram com cara de vinil, verniz, plástico.

E o sofá alienígena em versão multicolorida ou pink desbotada

Mara Gama às 10h08

Elogio ao LED

 

O designer Enzo Catellani define os LEDs (Light Emitting Diodes, diodos de emissão luminosa) como "luzes ecológicas", porque diminuem as emissões de CO2 a 1/5, economizam energia, não têm manutenção e têm duração de cerca de 70 mil horas, contra 2 mil horas de uma lâmpada halógena e mil horas de uma incandescente.

 

Catellani apresentou durante a Euroluce 2009, salão de iluminação de Milão, uma coleção que define como "zen, meditativa e relaxante, que abaixa a tensão no ambiente por ela iluminado".

 

São delicadas as luminárias. Hastes, fios e interruptores finíssimos e discretos.  Aqui as luminárias "Magic", "Uau" e "WaWa".

 

 

Mara Gama às 09h33

Multidesigners da Flos

 

Os multidesigners Antonio Citerio, Patricia Urquiola e Marcel Wanders assinam a coleção de luminárias externas que a empresa Flos, uma das maiores do ramo de iluminação, lançou durante os salões de design em Milão este ano.

"Belvedere", de Antonio Citerio, no estande da Flos no salão Euroluce de Milão, 2009

"Belvedere Round", de Antonio Citerio, no estande da Flos no salão Euroluce de Milão, 2009


Citério, 59, arquiteto, produz para marcas como B&B Italia, Flexform, Guzzini, Kartell, Vitra, Littalia. Tem objetos de sua criação nas coleções do Pompidou, na França, no Museu de Arquitetura de Chicago e no Moma de Nova York, e é professor de arquitetura na universidade.

A espanhola radicada na Italia Patricia Urquiola, 48, terminou sua formação no Politécnico de Milão, foi aluna de Acquille Castiglioni, e produz hoje para Agape, Alessi, Biscazza, Driade, Moroso, Kartell, Foscarini, MDF Italia.

"Wallflower", de Marcel Wanders

Marcel Wanders também é polivalente, multidisicplinar, e atuando em design e arquitetura. Produz para Cappellini, Boffi, Poliform, Moroso e é um dos fundadores da Mooi.


Detalhe da "Wallflower", de Marcel Wanders

Mara Gama às 08h50

Esculturas orgânicas e fluidas da Artemide

A Artemide é uma das maiores empresas no mundo da iluminação. Faturou 127 milhões de Euros em 2008 (9,1% a mais que em 2007).

"Genesys", de Zaha Hadid


Tinindo de branco, a estande da empresa na Euroluce, salão de iluminação que termina nesta segunda aqui em Milão, era das mais estreladas. Numa das entradas do espaço, a escultural peça da arquiteta Zaha Hadid, "Genesys", de 1,95 m de altura. A luminária de pé evoca a memória dos desenhos e mobiliário urbano art nouveau e ao mesmo tempo é claramente futurista, fruto de projeto da era da moldabilidade de materiais.

"Cosmic Leaf" de Ross Lovegrove


Em outro ambiente, as formas cósmicas de Ross Lovegrove :  "Cosmic Leaf" (a de pé mede 1,92m), "Cosmic Ocean" e "Cosmic Angel".  Lovegrove diz que sua criações são fruto da pesquisa contínua sobre formas líquidas, sobre algoritmos digitais e o processo de contemporâneo de produção e criação diretamente pelo software.

"Doride", de Karim Hashid


"Doride", de Karim Hashid, também com uma versão de pé, com haste longa (1,60m a 2,20m). Hashid a definiu como um gesto fluido, "uma peça zoomórfica, uma natureza digital".

Mara Gama às 07h59

Lumini na Euroluce

 

A brasileira Lumini tem estande na Euroluce, o salão dedicado à Iluminação, que termina nesta segunda, 27, aqui em Milão.

O designer Fernando Prado, multipremiado no Brasil e em grandes prêmios internacionais como o IF, deu plantão no estande criado pelo cenógrafo Felipe Crescenti.

Prado apresentou a nova integrante da "família Bossa", a mini bossa, de 192 mm de diâmetro, feita "por sugestão de um cliente que encomendou mil exemplares" e lançou durante a feira a luminária "Lift". Leve, ela desliza numa haste que apenas se apóia na parede e no chão. A fonte luminosa pode ser colocada em várias alturas, de acordo com o necessidade do momento.

 

 

Também no estande da Lumini as luminárias "Viva", de André Wagner e "Luna" e "Led it Be", de Prado.

O cenário de Crescenti usou cadeiras "Paulistano' para o ambiente com uma parede coberta pelas simpáticas "Led it Be".

 

Mara Gama às 04h18

Iluminação em debate

Para abordar o uso de novas fontes luminosas e do lighting design, esta 25 edição da Euroluce, um dos salões de design que começou no dia 22 de abril e termina hoje aqui em Milão, promoveu debates com profissionais e estudantes da área sobre "Características de um projeto de luz de qualidade" e "Cenários de inovação na iluminação".


Respeito ambiental, economia energética, bem estar visual e sensorial dos usuários e valorização expressiva dos ambientes, de acordo com o uso, são os temas que o profissional da área tem de ter em mente.


Aqui na Itália se somou um novo fator para o debate. A partir de 2011 está vetada por lei a importação, distribuição e venda de lâmpadas incandescentes. É a lâmpada mais comum, de uso em casas, ruas, estabelecimentos. O motivo é econômico. Duram pouco e consomem muito. As flourescentes compactas entram no lugar.


A lei desagrada muitos designers. Em declaração ao jornal italiano "La Repubblica", a presidente da associação de projetistas de iluminação italianos, Cinzia Ferrara, diz que o mercado deveria decidir se e quando deve abandonar o uso de uma fonte luminosa. Além do ataque à restrição legal, Ferrara afirma que as incandescentes são as únicas capazes de otimizar a iluminação das cores. Também o fato de as luzes fluorescentes possuírem mercúrio depõe contra a sua adoção em substituição às incandescentes.

 

O designer Ingo Maurer protestou em seu estande. Veja a instalação abaixo.

protesto do designer Ingo Maurer contra a lei que proibirá a partir de 2011 as lâmpadas incandescentes na Itália

camisinhas para lâmpadas, criação de Ingo Maurer

Mara Gama às 03h55

26/04/2009

Encanto das luzes


O Euroluce, salão dedicado à iluminação, exerce um fascínio diferente no público. As novas tecnologias de iluminação, os leds, tecidos hi tech, materiais ultraleves e muito moldáveis convidam ao passeio e à experimentação. 

lágrimas de pescador, de Ingo Maurer

Também é uma área de cenografia caprichada,  teatral. Para mostrar os efeitos variados dos produtos, são criados ambientes escuros de diversos tipos, labirtinos, cenários, e isso proporciona sensação de imersão no mundo das novas luzes.

luminária de Marco Merendi usa arquitetura de Niemeyer como cenário

parede pintada para mostrar iluminação de piso no estande

Mara Gama às 17h49

Salões para o público

 Hoje a entrada foi liberada para o público nos salões de design em Milão.

Nos demais dias, a entrada é reservada aos profissionais da área ou comerciantes, com cobrança de ingresso. Apenas o salão Satélite, que é o espaço de exposição dos estudantes e novos estúdios, tem entrada liberada todos os dias.

Os salões de mobiliário, complementos, iluminação e o salão satélite receberiam hoje, segundo a estimativa dos organizadores do evento, 30 mil pessoas, de acordo com reportagem publicada neste domingo no "Corriere della Sera".

O jornal também divulga que o número de visitantes dos salões foi de 226.265 nos primeiros quatro dias.  Em 2008, o público total dos salões, nos seis dias, foi de 348.452 pessoas.

 

Mara Gama às 17h40

25/04/2009

Sábado na Triennale de Milão


 

A Triennale tem uma programação especial durante os salões de design, que começaram no dia 22 e vão até o dia 27 de abril em Milão. A cidade está tomada por um turismo diferente. Produtores, industriais, criadores, comerciantes, representantes e estudantes fazem o circuito dos salões, que ficam instalados num grande complexo de feiras, no noroeste da cidade, e o circuito "Fuori Saloni", que já é bastante grande e estabelecido.

Neste circuito "fora dos salões" estão as mostras de museus, galerias, lancamentos de publicações, livros, filmes, debates e também feiras pequenas de design.

A Triennale, instalada num grande prédio ao lado do parque Sempione, tem algumas mostras para o período. A mais singela é a do prêmio Émile Hermès. Comecei por ela o meu sábado milanês. 


 

 "A Leveza do Cotidiano", muito bem montada em um nicho de panos simplissimos bordados e estirados em quadros de madeira, tem pequenas jóias, como um selim que vira bolsa de couro, do designer dinamarquês Ian Mahaffy, e o banquinho premiado, o "Bronco", de Simon Lecureux.

 

 

Também merece destaque o simples abajour de usar dentro do armário, para pendurar num cabide, do italiano Silke de Vivo

 

Mara Gama às 17h57

Futurismo faz 100 anos

 

 

Os jardins da Triennale de Milão receberam uma mostra comemorativa dos 100 anos do futurismo. Projetos de escultura de Giacomo Balla, um dos mentores do movimento que foi bastante forte na Itália, foram produzidos em grande escala, com suas cores fortes, e instalados na área externa da Triennale. 

 

 

 

Os jardins também ganharam, desde o dia 22, por causa dos salões de design, uma escultura luminosa do artista inglês Cerith Wyn Evans. Tem seis metros de diâmetro e é visível de noite como se fosse uma núvem de néon flutuante. A instalação se chama "Invocation".

 

Mara Gama às 17h48

História do design italiano na Triennale


A Triennale de Milão tem uma programação especial durante os salões de design.


No seu prédio, instalado ao lado do Parque Sempione, está o Museu do Design, que traz uma mostra para contar a história do design italiano através de seus grandes marcos, ícones.

"Serie Fuori Serie" (série fora de série) é o nome da mostra que traz utensílios, meios de transporte, mobiliário e todo tipo de objeto, finalizado ou em protótipo.

 


A idéia é fazer o visitante percorrer um percurso análogo ao do criador, da indústria e da história.


Um esquema apresenta as características da produção industrial para os objetos experimentais, em pequena série e em grande série e as subdivisões desses formatos de produção.

 


O público lotou o prédio no sábado, dia 25, nesta e em outras mostras, aproveitando o último dia de sol antes da chuva anunciada pela meteorologia por aqui para os dias finais dos salões, que vão até a segunda, 27.

Mara Gama às 17h43

Modulados para áreas externas

 

O designer alemão Wolf Udo Wagner criou para a Fischer Möbel a linha Univers, que ganhou o If Award de 2009, talvez o mais abrangente prêmio internacional de design. A linha Univers está exposta no Salão Internacional do Móvel de Milão, onde o BlogDesign está, desde o dia 21 e até o dia 28, para fazer a cobertura para o UOL.

 

As peças chamam a atenção do público pela simplicidade do desenho e pelo material muito leve.  Muita gente se senta e se recosta para sentir a textura e saber se é confortável. É confortável sim.

 

Para terraços, varandas,  jardim, clubes, locais públicos, parques, áreas externas em geral. A modulação permite inúmeras montagens diferentes.

 

O material dos módulos é uma espuma de poliuretano de grande densidade. Os módulos são aplicados numa base de madeira resistente à água para manter as formações escolhidas.

 

Mara Gama às 08h20

Novo banco da Thonet


A mais tradicional fábrica de móveis do mundo, a Thonet, lança agora em abril o banquinho de bar 404, desenhado por Stefan Diez. O lançamento está sendo apresentado em Milão, no Salão Internacional do Móvel. No estande da Thonet aqui no salão, os banquinhos e mesas ficam dipostos como num bar. 

 


O assento de madeira encurvado se apóia sobre três pés, unidos por uma lâmina curva na parte dianteira para apoio dos (nossos) pés.

 


A única coisa que não é de madeira é uma fita de pvc exatamente nesta lâmina, para que o atrito dos sapatos não danifique a peça.

O banco é superconfortável e seguro.

Para comemorar o aniversário de 150 anos da cadeirinha 214, a empresa lançou também uma edição especial.

A cadeira desenhada por Michel Thonet em 1859 e que já alcançou a marca das 50 milhões de unidades foi reeditada em madeira clara e com assento branco ou colorido.

Também foi reeditada a S-43, desenhada por Mart Stam em 1931. Onze novas cores começam a ser vendidas pela fábrica.

 

Mara Gama às 07h55

Tramas abertas da Gervasoni

 

 

A poltroninha de trama de borracha é um dos destaques da coleção Sweet da Gervasoni, desenhada por Paola Navone. Foi o item que mais chamou a minha atenção no ambiente montado pela empresa no Salão Internacional do Móvel, aqui em Milão. Segundo a assessoria da empresa, a cadeira é inspirada numa tradicional cadeira filipina chamada de papasan.

 

 


A coleção da Gervasoni tem materiais bem diferentes em combinações interessantes.

 


Vime, bambu e rattan em grandes estruturas e largas tramas fazem um bom mix com os sofás e camas de blocos de espuma macios e marcados em todas as linhas para ressaltar o desenho.

 

 

 


Também se destaca o pufe desenhado pelo estilista argentino Martin Churba. É coberto por malha de tricô bem larga. É muito confortável.

Mara Gama às 06h57
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