12/04/2008

Roberto Sambonet é tema de mostra no Ano do Design em Turim

 

"Roberto Sambonet - designer gráfico e artista" é um dos destaques do projeto "Turim 2008, capital mundial do design".

Durante o ano inteiro debates, publicações, conferências, intervenções urbanas e mostras têm como objetivo "sensibilizar o público" para a compreensão do design como conjunto de instrumentos e metodologias para melhorar a vida material, incluindo aí projetos de largo espectro, iniciativas públicas, educação, planejamento econômico e urbano.

A mostra sobre Sambonet começou no último dia 8 e fica até 6 de julho no Palazzo Madama, centro de Turim.

Artista polivalente

A escolha do artista polivalente se casa com o intuito de exemplificar a abrangência do design.  Na foto abaixo, o artista e alguns dos utensílios projetados por ele e produzidos pela Sambonet nos anos 1970.

Na obra de Sambonet, os vários suportes demonstram e reiteram a importância da base do desenho, instrumento de observação, documentação e estudo do que já existe e ao mesmo tempo trabalho manual e projetual para a criação de novas formas. Abaixo, uma de suas panelas "peixeiras", com presilhas de encaixe nas pontas.

 

Designer de objetos e publicações, artista gráfico, pintor e quase arquiteto (interrompeu os estudos em Milão, durante a Segunda Guerra), Sambonet (1924, Vercelli -1995, Milão)  viajou o mundo resgitrando imagens e observações sobre diversas culturas e suas manifestações em seus cadernos de desenhos. Recolheu também artesanato, objetos, conchas, pedras como cientista em pesquisa de campo. China, Tailândia, Índia, México e Peru são presentes em sua obra.

Experiência no Brasil

Viveu no Brasil de 1948 a 1953, foi muito próximo de Lina e Pietro Maria Bardi na época da fundação do Masp, onde também deu aulas de artes gráficas e estamparia no extinto Estúdio de Arte Contemporânea. 

Nesta época participou ativamente desenhando roupas e o cartaz do Primeiro Desfile de Moda de São Paulo, projeto que contou com a colaboração de diversos artistas plásticos e gráficos e a concepção de Lina Bo Bardi.

A mostra de Turim traz fotos de algumas roupas desenhadas por ele e que chegaram a ser feitas, o programa do desfile com a explicação para o uso das roupas em cada ocasião e também desenhos de sapatos e óculos que nunca foram produzidos.

Publicou em Milão, entre os anos 1960 e 1970, o livro "Juqueri, Esperienza Psichiatrica di un Artista" ou "Della Pazzia" (Da Loucura), com a série notável e desconcertante de desenhos que fez tendo como tema os pacientes do manicômico do Juqueri, em São paulo, local que frequentou por uma temporada, ainda nos anos 1950, com a permissão de um amigo psiquiatra para observar os internos. 

Nos anos 1980, viajou pela Amazônia, produzindo aquarelas sobre a natureza , artesanato e formas de construção regionais de palha e vime.

Nos textos de apresentação e nas legendas de objetos e fotos, a curadoria da mostra trata a passagem pelo Brasil como momento crucial para o trabalho do designer. 

Gráfica, cenografia e objetos

De volta a Europa, nos anos 1950, o interesse pela moda prosseguiu e Sambonet fez projetos para a cadeia de lojas italianas La Rinascente, em vitrines,  pesquisa de objetos, cenografia, temas de coleções e projetos de comunicação.

Na mesma década, conheceu Alvaar Alto, que exerceu grande influência sobre seu trabalho. também nos anos 1950, Sambonet começou a projetar objetos para a empresa da família.

Além dos desenhos, aquarelas, cadernos de viagem com croquis, esboços e estudos sobre cores e paletas, a mostra conta com uma série significativa de cartazes, projetos gráficos para jornais, comunicação corporativa, capas de livros, logotipos, objetos para empresas - como o cubo de tênis para a Fiat (um cubo com o tamanho de uma bola de tênis).

Na parte dedicada aos objetos, há talheres, panelas e utensílios de cozinha e mesa em aço inox, vasos de vidro e embalagens sofisticadamente articuladas. Projetos para a empresa SpI, Sambonet Paderno Industria, que é uma das maiores empresas italianas na área de talheres e objetos de inox e que mantém em linha alguns de seus desenhos originais.

Sambonet conquistou duas vezes, em 1956 e em 1970, o "Compasso D'Oro", prêmio internacional que foi durante muito tempo o mais significativo para a área.


 

Mara Gama às 19h40

09/04/2008

Malas de vime prontas para Milão




De malas prontas para Milão, onde participam do Salão Internacional do Móvel, de 16 a 21 de abril, os irmãos Campana acabam de inaugurar uma loja Camper em Florença, na Itália, com paredes e nichos de vime e couro trançados.

Os irmãos já haviam feito lojas temporárias para a marca com uma idéia que batizaram de Turn Leftovers. "Eram posters de publicidade que cobriam toda a loja, mas eram como páginas de um livro, o que permitia que as pessoas rasgassem partes, construindo novas imagens, sobreposições", diz Humberto. A primeira loja foi feita em Berlim. Depois vieram Londres, Zaragoza e Barcelona. O designer Martin Guixe também já fez lojas temporárias para a Camper. "Esta nova de Florença é um trabalho mais permanente", diz Humberto Campana.




E está na internet (no you tube e aqui neste blog, logo abaixo deste texto0, uma entrevista e espécie de making of da exposição "Manufacturing Emotions - Campana Brothers Select: Works from the Permanent Collection” no Cooper-Hewitt National Design Museum de Nova York, que estreou em 15 de fevereiro.

Para a exposição, os Campana escolheram 20 objetos do acervo do museu para contar uma história não-linear, mas com referências ao trabalho da própria dupla. São exemplares de tramas, tecidos e trançados, alinhavados e dispostos sem ordem ou compromisso cronológicos, que incluem papéis de parede, tecidos, jóias feitas com fios de cabelos, crinas de cavalo, cestos de palha feitos de bisquit de porcelana e cestarias.

Também na mostra a cadeira “Trans...”, da dupla, toda de vime com pedaços de plástico que brotam do interior. A entrevista foi feita em inglês.


Mara Gama às 20h04
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Mara Gama é jornalista com especialização em design.

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