12/05/2008

Victoria & Albert Museum de Londres conta a história das Supremes

Começa na terça, 13 de maio, uma mostra sobre a história das garotas mais famosas da Motown, The Supremes, no Victoria & Albert Museum de Londres.

Um dos mais importantes grupos dos anos 1960 (elas começaram em 1957), The Supremes - Barbara Martin, Diana Ross, Florence Ballard e Mary Wilson - só perdem para os Beatles em número de hits de sucesso na época. Na foto abaixo, The Supremes nos vestidos de borboleta, desenhados por Michael Travis, na capa do álbum "Cream of the Crop".

Serão exibidos figurinos, objetos, fotos e publicações, que juntos revelam a mudança na imagem do grupo desde o começo, como Primettes. Assim como os demais artistas da Motown, as meninas tinham orientações da gravadora de como se vestir, comportar, comer, dar entrevistas. Muitas de suas roupas eram planejadas para os spots dos shows e gravações de TV. Na foto abaixo, "Peach feathers", vestidos desenhados por Bob Mackie. Dos arquivos da Motown.

A mostra foi desenhada pela Peter Brooks Design e tem sonorização especialmente criada por Peter Key, que inventou uma "paisagem sonora" de Detroit como som de fundo.

Segundo a curadoria, a história das Supremes será contada também do ponto de vista da sua contribuição para o movimento dos direitos civis nos Estados Unidos.

Ouça clássicos da Motown incluindo The Supremes na Rádio UOL

Mara Gama às 20h35

Ler, pensar, esperar e descansar

Um módulo monobloco, componível em rede e que pode ser usado para áreas de descanso em museus, espaços de leitura para adultos e crianças, jardins e até no consultório do analista.

A ampla variedade de usos previstos pela criadora poderia resultar num objeto pastiche, desprovido de personalidade e conforto. Não é o caso do "Margaritae", da designer e arquiteta Rosella Ongaretto.

Agradável e continente, o "Margaritae" propõe uma nova posição que poderia ser classifcada como descanso ativo, se é que existe essa nomenclatura. Não é para dormir, porque deixa a coluna bem posicionada e mantém os olhos numa situação de boa visibilidade do ambiente. Os módulos podem ser feitos com tecido lavável para uso interno, ou neoprene para os espaços externos.

 

Enfim, alguém se preocupa em achar uma nova posição para que você leia, trabalhe num laptop, recupere as forças depois de horas num museu ou espere seu vôo observando vez ou outra os avisos do quadro de embarques, ao mesmo tempo em que deixa suas pernas descansarem.

A pesquisa e invenção de objetos para espaços públicos e uso coletivo da designer Rosella Ongaretto não começou agora, com a "Margaritae", que foi exposta no Salão Satélite de Milão no último mês de abril.

Em 2006, ela expôs no mesmo Salão Satélite o "Dino", que acabou participando, no ano seguinte, de uma Mostra no Museu de Ciências Naturais de Milão, feita para celebrar a descoberta de um fóssil de filhote de Dinossauro. Nada mais aproopriado.

O "Dino" é formato por assentos de dois lugares de altura variável, realizado em espuma de alta densidade e tem também versões para uso interno e externo. É um sofá dinossauro, muito simpático e divertido.


 

Mara Gama às 10h41

11/05/2008

Da República ao Castelo

Nos anos 90, durante os primeiros anos do processo de reunificação das Alemanhas, vários edifícios públicos ficaram abandonados, enquanto fermentava a discussão sobre o que fazer com o "legado" arquitetônico da antiga República Democrática da Alemanha em Berlim. Apesar do discurso conciliador e de inclusão, entre os ideólogos da nova Alemanha já havia os que recusavam de todas as formas os símbolos da DDR.

De outra parte, desde antes da queda do muro, no meio artístico e entre os estudantes, jovens trabalhadores, imigrantes e aqueles com menos estabilidade social, se desenvolveu uma cultura de reciclagem ativa, com a ocupação de centros comerciais, hospitais, prédios abandonados, para reuso em centros culturais, espaços comunitários, escolas.

No fogo cruzado entre as duas forças ficou o Palácio da República, antiga sede do governo da DDR, ainda hoje em obras.

Um movimento de salvação do Palácio foi lançado. Vários intelectuais e artistas defenderam a manutenção do edifício como símbolo da superação do regime fechado e da vitória da democratização.

O artista norueguês Lars Ramberg, que esteve na última (27º) Bienal Internacional de São Paulo (2006), criou um projeto de intervenção e rebatizou o prédio de "Palast des Zweifels" (Palácio das Dúvidas). Na fachada, "Zweifel"

 

Em linhas modernas, construído nos anos 1970, com revestimento de aço, mármore e janelas de vidro em tom de bronze e espelhado, o prédio proporcionava amplas visuais da área dos museus de Berlim e refletia os prédios em sua fachada. Em seu interior, centenas de lâmpadas faziam uma decoração marcante, exagerada e datada.

 

Por causa das lâmpadas e por ter sido erguido durante o governo do presidente Erich Honnecker, acabou ganhando o apelido de Erich Lampenladen (loja de lâmpadas do Erich).

Além do uso administrativo, o prédio tinha uma função de espaço social na vida de Berlim Oriental. Com centro comercial, restaurante, teatro e discoteca, ali eram feitos casamentos e festas.

Dez anos depois da queda do muro, entre 1998 e 2003, componentes de amianto usados na construção foram retirados do edifício, por causa da toxidade, destruindo sua fachada e acabamentos.

A decisão final do governo foi demolir o prédio - para tristeza dos que defendiam sua permanência e recuperação, por seu valor histórico - e construir em seu lugar uma réplica do castelo prussiano de Frederico II, que foi bombardeado durante a Segunda Guerra e demolido em 1949.

Segundo o projeto, nas novas instalações do castelo haverá centro cultural, galerias de arte, centro de conferências e restaurante.

Mara Gama às 23h04

Recuperar ou demolir?

Aspectos técnicos, econômicos, culturais e ideológicos se articulam na discussão sobre recuperação e novos usos para a arquitetura. No último dia 27 de abril, foi feita uma consulta popular para os cidadãos berlinenses sobre a destinação do aeroporto de Tempelhof, o mais antigo do mundo, construído em 1923 e ampliado durante a era nazista, ficando conhecido como "o aeroporto de Hitler".

Apesar de símbolo do nazismo, foi também marcado como abertura para o Ocidente. Era o local onde os aviões americanos desciam com mercadorias durante a época da Guerra Fria. 34% dos eleitores votaram pelo fechamento de Tempelhof, apoiando o prefeito Klaus Wowereit, que argumentava pelo fechamento por razões econômicas, contra 20% que defendiam sua manutenção.

Mara Gama às 23h03

A vida dos prédios

Um artigo da edição de sábado, 10 de maio, do "El Periodico", jornal da Catalunha, define Berlim como capital da reciclagem arquitetônica. O mote é a obra do Soho House Berlim, o clube superchique e exclusivo que nasceu em Londres, tem filiais em Nova York e Miami e deve abrir em 2009 outras casas em Los Angeles e Chicago, com spa, restaurante, sala de exposição, espaço para lançamentos de filmes, instalações multimídia.

O Soho House Berlim, que deve ficar pronto em outubro de 2009, vai ocupar um prédio de história exemplar. Na esquina da Prenzlauer Allee com a Torstrasse, a poucos metros de Alexanderplatz, o edifício original foi inaugurado em 1928, como uma loja de departamentos pertencente a dois sócios comerciantes judeus.

Com a ascensão do nazismo, o espaço foi tomado dos proprietários, que tiveram de sair da Alemanha. Em 1942, virou QG da juventude nazista.

No pós-guerra, transformou-se na "Casa da Unidade", sede do Partido Comunista da Alemanha, de 1946 a 1956. Depois virou sede dos arquivos do Partido e posteriormente abrigou um instituto histórico ligado ao Comitê Central. De 1959 a 1989, ali funcionou o Instituto de estudos do Marxismo.

A partir de 1995, ficou vazio.  Há dois anos, foi restituido à primeira família proprietária, que o vendeu ao Grupo Soho. A obra está sendo feita pelo escritório de arquitetura JSK. O investimento é de 40 milhões de euros. Devem ser preservados alguns geradores de energia e os poços dos elevadores. Abaixo, uma imagem do projeto.

 

Mara Gama às 23h03
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Mara Gama é jornalista com especialização em design.

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