28/06/2008

Os sistemas de Buckminster Fuller

Uma exposição no Whitney Museum, de Nova York, apresenta desde o dia 26 de junho e até 21 de setembro o gênio de Buckminster Fuller (1895-1983). Na imagem abaixo, uma geodésica cobre parte da ilha de Manhattan.


Fuller foi um dos maiores "práticos" multidisciplinares do século 20. Transitou entre arquitetura, engenharia e design. Desenvolveu princípios para uma espécie de ética da sustentabilidade, baseada em idéias da matemática e da geometria.            

A enunciação dos seus pensamentos e sistemas seduz mesmo quem não se aprofunde neles, pela impressão de que há, enfim, uma amarração entre os princípios da natureza e algum manejo possível da vida moderna.



Famoso por seus projetos de domos e suas estruturas geodésicas, Fuller acreditava que o planejamento responsável de cada um individualmente e da sociedade organizada poderiam establizar a crise de energia, a falta de área cultivável no mundo, o aquecimento e os problemas ambientais que já antevia desde os anos 1950/1960.


Professor de artistas como John Cage, Merce Cunninghan e Willem de Kooning, Fuller inspirou grande parte do movimento ecológico americano e até hoje é referência de estudo para as idéias de arquitetura e projetos auto-sustentáveis. Escreveu mais de 20 livros.


Já em meados dos anos 1920, começou a abordar o problema da moradia, projetando sistemas de pré-fabricação e produção. Ativista e divulgador de suas idéias e projetos, chegou a reproduzir e distribuir duzentas cópias mimeografadas de seu manifesto 4D Time Lock, visão radical de um novo tipo de construção em série de baixo custo. O sistema 4D depois passou a se chamar Dymaxion. Dymaxion é a junção de dynamic, maximum e ion. O termo foi criado pelo publicitário Waldo Warren, depois que Warren ouviu a descrição de Fuller sobre o sistema. Fuller aplicou então o nome para o sistema todo.


Posteriormente, no fim dos anos 1940, Fuller criou a Standard of Living Package, um projeto de pré-fabricação de todo o miolo da casa -paredes, louças sanitárias, divisórias- que poderiam ser montadas, moldadas e depois empacotadas para serem transportadas em containers. Depois seriam planificadas, desdobradas e construídas por toda parte. A cobertura do sistema previa uma geodésica. Fuller morou, com a mulher, numa casa geodésica por 11 anos, de 196o a 1971.


Abaixo um vídeo com o carro criado por Fuller.

O único exemplar do carro Dymaxion, com três rodas, de 1933, que você já deve ter visto em muitas publicações e livros de história do design, está na exposição do Whitney.


Também estão modelos das geodésicas, de secções de sua estruturas, incluindo também um modelo do sistema Tensegrity, desenvolvido pelo aluno de Fuller Kenneth Snelson.

A exposição também traz maquete de um conjunto de habitação flutuante, para áreas litorâneas, de 1967; maquete da Wichita House, da Dymaxion Deployment Units (DDu), croquis, desenhos e planos para o Dymaxion Air Ocean World Map;  projeto e material de aprsentação do World Game, jogo educativo sobre a alocação de recursos globais, produzido em 1969, e uma curiosa linha do tempo, em que Fuller acompanha os eventos de sua vida em paralelo com as grandes invenções, os governos americanos, a situação da energia no planeta.



 


Para quem se interessa pelo personagem e o assunto, o site da fundação   é um ótimo começo.
De lá vieram as fotos deste post.


 

Mara Gama às 12h27

22/06/2008

Murmúrios nos muros


Desde que, em 2005, uma lei vetou as pixações em Barcelona, os grafiteiros locais se uniram em grupos para defender seus espaços de atuação e encontrar grafiteiros de outras cidades e países.

Uma das associações mais ativas da cidade é a dos "Vaqueros de Barcelona", coletivo de 30 artistas. Criada pelo diretor de arte dinamarquês Anthon Maxus Christophersen e pelo produtor cultural catalão Marc Mascot I Boix, a trupe  "Vaqueros de Barcelona" batalha por locais para pixações autorizadas ali e em outras cidades européias, faz exposições em galerias, festas-hapennings para dividir com o público o momento das pixações e documenta as ações de seus artistas em vídeo. Abaixo, desenhos do artista plástico Renato Lins, o Dedé, baiano radicado em Barcelona, para a obra Mur Murs.

Mesmo com a celebração do grafitti em galerias e no circuito de arte - cujo exemplo mais recente é a exposição na Tate Modern, de Londres - os "Vaqueros de Barcelona" continuam atuando, segundo eles mesmos dizem, em clima de faroeste, daí o nome da associação, que já tem sua subsidiária em Lisboa: os Vaqueiros de Lisboa. .

A mais recente ação autorizada dos "Vaqueros de Barcelona" foi a pintura de um terminal de ônibus em Minorca. O nome do festival de arte de rua que celebrou a pintura do terminal é Mur Murs, que quer dizer "muros muros" e, ao mesmo tempo, "murmúrios". Abaixo, imagens do artista Borgo, para o Mur Murs.

Aqui abaixo, vídeo do produtor "Justin Credible" sobre o Mur Murs.

Aqui abaixo, imagens de um dia de pintura dos "Vaqueros de Barcelona" no Raval, bairro de vida cultural intensa em Barcelona. 

 

 

Mara Gama às 19h59
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Mara Gama é jornalista com especialização em design.

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