03/07/2008

Pavilhão negro da Croácia

Recebi essas imagens maravilhosas, que foram feitas por Marcelo Negromonte. Ele leu o post sobre as cascatas de Olafur Eliasson em Nova York e acabou de conhecer o pavilhão de Eliasson e David Adjaye na Croácia.

São fotos da obra "Your Black Horizon Art Pavillion", criada para a Bienal de Veneza de junho de 2005 e que está na ilha de Lopud (50 minutos de barco de Dubrovnik), Croácia, até outubro. A paisagem original do local é formada de cipestres, cactus e oliveiras. Os dois artistas foram comissionados pela fundação Thyssen-Bornemisza de Arte Contemporânea.

"É um uma estrutura de madeira com uma grande sala escura, iluminada apenas por uma linha de luz na altura dos olhos (dos meus, pelo menos) que percorre toda a extensão das paredes e muda de cor de acordo com algumas variáveis. A estrutura fica no meio do nada, por onde se chega a pé e com vontade. E nesses dias quentes e ensolarados, a obra é quase o "negativo" do lugar, que é lindo, claro  e com um mar incrível no horizonte. Então você entra numa caixa preta com aquela linha de luz apenas...".

Grazie Mille, Marcelo! 

Mara Gama às 15h49

30/06/2008

O tempo de Olafur Eliasson

Não parece fácil inserir algo significativo na paisagem de Nova York. Quem passar pela cidade até outubro poderá julgar, pois muito provavelmente verá a última obra do multiartista dinamarquês Olafur Eliasson feita para a cidade. Abaixo, imagem da cascata do pier de East River.

Eliasson inaugurou no último dia 26 de junho quatro cascatas artificiais, que bombeiam água do rio e despejam de volta, em quedas do alto de estruturas metálicas. As cataratas foram montadas em quatro pontos: na Governors Island, no ancoradouro do Brooklin e em dois piers do East River, em Manhattan. Abaixo imagem da cascata de Governors Island.

Com o calor de mais de 30 graus do verão, o apelo à visitação é "natural" como a busca de ar, sol e água. A "Time Out", por exemplo, fez um simpático roteiro de piscinas e atrações aquáticas para acompanhar a página que traz dados e o serviço das cascatas de Eliasson. O serviço da revista inclui a lista dos melhores pontos para avistá-las, os tours que permitem boas visões das instalações e dados sobre a obra, com as comparações de praxe. Exemplos:

. As quatro cascatas bombam do rio 35 mil galões de água por minuto. As cataratas de Niagara jorram 35 milhões de galões por minuto;
. O projeto custou US$ 15 milhões. A obra "The Gates", de Christo (no Central Park), custou US$ 21 milhões;.
. A maior das cascatas tem 120 pés; a estátua da Liberdade tem 151 pés.

As instalações funcionam das 7h as 22h. As fotos que você vê aqui foram feitas da Brooklin Bridge, de onde só são visíveis três das cascatas. Acima, a vista lateral da cascata que fica no ancoradouro do Brooklin.

Eliasson acaba de encerrar a maior exposição sua nos Estados Unidos. "Take Your Time", foi dividida em dois grandes espaços: no MoMA (13 obras) e no PS1, centro de arte contemporânea que fica em Long Island, Queens (25 obras), de abril até a segunda, dia 30 de junho.

As cascatas e as duas mostras revelam um artista dos mais prolíficos.

Aos 41, Eliasson já fez mais de 18 mostras importantes nos mais prestigiosos museus e galerias do mundo, desde 2001, e criou 66 grandes projetos.

Apesar do volume e da variedade de formatos, suportes e sistemas, uma das vertrentes mais surpreendentes de seu trabalho está na criação do que se poderia chamar de ambientes de transição sensorial. Pela mudança dos estados, sempre evoca a passagem do tempo.

Os efeitos são muito fortes, impactantes, e sensíveis principalmente em locais fechados, que funcionam como câmeras de experiência.

Assim é o caso de "Take your Time", instalação que consiste num espelho gigante que gira lentamente no teto de uma sala, com uma rotação levemente descentrada. Os visitantes se deitam no chão para se verem no espelho do teto e vão acompanhando vagarosamente algumas distorções visuais de suas próprias imagens. Abaixo, imagem da instalação.

Também é desestabilizante a instalação "Room for one color", que consiste num corredor com lâmpadas monocromáticas que alteram a percepção de cor dos visitantes, tornando tudo amarelado ou preto e branco.

Num caminho semelhante, mas de resultado mais cerebral, está "Beauty", uma instalação de uma cortina de vapor de água que iluminada obliquamente proporciona trasnições de cores diferentes a cada ponto de vista. Abaixo, "Beauty'.

Em quase todas as instalações com luzes coloridas e espelhos, se tem a impressão de enxergar um espaço fluido e ver cores como reações a provocações, por contraste, justaposições, sombras, durações, temperaturas. É como se você visse as cores pela primeira vez "externamente" no mesmo tom que vê quando fecha os seus olhos.

Acima, "Space Reversal".

Segundo curiosa categorização adotada em seu website, seriam os seguintes os seus temas: corpo, cor, dimensões, distância, ambiente, atrito, geometria, paisagem, luz, modelo, movimento, dentro/fora, realidade, som, espaço, coisas, tempo, toque, incerteza, utopia, vibrações/ondas, visão, clima. Parece bom? pouco? muito?


 

Mara Gama às 02h01
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Mara Gama é jornalista com especialização em design.

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