08/08/2008

Do outro lado do muro

Acima, "Informe Publicitário" (2006), de André Komatsu


A exposição "Do outro lado do muro" foi criada para uma casa que fica a um muro da loja de objetos e mobiliário MiCasa, na esquina da rua Estados Unidos com a Atlântica, nos Jardins, em São Paulo. Depois da exposição, a casa-mostra será demolida e ali será construído um anexo da loja.  "Tudo aqui é transitório. Os artistas escolhidos têm uma relação com a construção e desconstrução. Real e simbólica. Já os designers têm em seus objetos a mesma força de uma instalação. Tudo convivendo sobre o mesmo teto, sem diferenças e nem hierarquias", escreve Ricardo Oliveros, o curador da mostra. 
 
"Do outro lado do muro", metaforicamente, faz referência ao muro, fronteira, virtual ou desimportante para uns, barreira conceitual fundamental para outros, que separa arte e design.

Na maior parte das vezes, se há polarização, tendo a me alinhar, por pragmatismo, à segunda turma, porque acho que no final das contas é melhor que no compartimento arte fique aquilo que pode brincar, zombar, desfazer, dar as costas, romantizar, satirizar, fazer birra ou delirar sobre a inutilidade e a utilidade, sem ter de seguir nenhum programa.

Ao design ainda acho que vale cobrar que alguma coisa funcione em algum plano.

Mas é claro que esse pensamento simplificado já enseja seu próprio suicídio, pois se à arte tudo é permitido, também é permitido que simule e se invente como utilidade, coisa prática, narração de utilidade passada, invenção de utilidade futura, discurso, enfim, ainda que sua justificativa seja única e exclusivamente a de satisfazer ao gosto.

Não é necessário levar essa minha conversa adiante para ver com interesse "Do Outro lado do muro". A mostra reúne obras de artistas como Adriana Varejão, André Komatsu, Angela Detanico + Rafael Lain, Daniel Senise, David Batchelor, Flip, Front, Gisela Motta+Leandro Lima, Henry Krokatsis, Iran Espírito Santo, Kleber Matheus, Los Carpinteros, Luiz Duva, Marcelo Cidade, Mariana Manhães, Renato De Cara, Rochelle Costi, Sang Wong Sung e Triptyque.

"Muito da arte contemporânea tira de um cotidiano banal seu suporte criativo. Por outro lado, o design, sem esquecer da função, passa por um momento de muitas vontades artísticas", diz Ricardo Oliveros. 

Veja mais imagens, bastidores e informações no blog do Oliveros, o Fora de Moda. "Do outro lado do muro" abre dia 9, para convidados, e fica de 11 de agosto a 6 de setembro, com visitação de segunda a sexta de 11 as 18h, com entrada pela Estados Unidos, 2.109, Jardim América, em São Paulo.

 

 

Mara Gama às 23h11

05/08/2008

Novo MIS

A sede do Museu da Imagem e do Som de São Paulo, construída nos anos 1970, e conhecida como Caixa Forte, reabre no próximo sábado, dia 9, depois de uma ampla reforma. O projeto é dos arquitetos Álvaro Razuk e Camila Fabrini e foi o vencedor de um concurso que envolveu quatro escritórios.

A mudança do acesso principal, a abertura da grade que separa o MIS do Museu da Escultura e a construção de uma marquise de ligação da entrada principal à avenida Europa são as mudanças mais perceptíveis na área externa. Internamente, o prédio de 5 mil metros quadrados teve profunda reformulação, para adequar seus espaços às demandas de produção digital e pesquisa de novas mídias.

"Uma das principais mudanças foi a reorganização dos espaços internos do museu, que eram muito recortados, difíceis de compreender visualmente. Hoje existe melhor aproveitamento", diz o arquiteto Alvaro Razuk. Acima, foto do espaço redondo, por Ding Musa.

No térreo, pela entrada da avenida Europa, agora se tem acesso à nova midiateca (onde ficam computadores, TVs, aparelhos de DVDs, títulos do acervo, publicações), uma área de acesso à internet, uma chapelaria, uma área de atendimento educativo e o auditório modernizado, com novo tratamento acústico e equipamentos de projeção mais sofisticados, e os seus 150 lugares.

Pela entrada da rua Bucareste, fica o acesso ao coração do MIS, que é o seu acervo, de mais de 300 mil títulos. Com registros e depoimentos em áudio ou vídeo de artistas como Tarsila do Amaral, arquivos da Vera Cruz e do acervo de Paulo Emilio Salles Gomes, o material vem sendo catalogado e tratado pelas equipes de Gina Machado e Regina Davidoff desde o ano passado.

No primeiro andar, a reforma criou uma grande área expositiva, de 530 metros quadrados.

No segundo andar, a novidade foi a criação de um estúdio de som, que, através de um sistema de cabeamento inteligente, pode gravar online o que for produzido nos auditórios. Foi reformulado também o auditório de 70 lugares e há espaço para workshops, sala de edição de áudio e vídeo e uma oficina de interface.

Mara Gama às 22h50
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Mara Gama é jornalista com especialização em design.

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