05/12/2008

Homenagem a Janete Costa dia 7 em São Paulo

Amigos e familiares de Janete Costa, com apoio do Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro (IIPB), do Artesanato Solidário/ArteSol, de A Casa Museu do Objeto Brasileiro, do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e da Associação Brasileira de Designers de Interiores (ABD), convidam para uma cerimônia em memória da arquiteta, designer e incentivadora da arte popular e do artesanato brasileiros, no domingo, dia 7, 12h, na Estação São Paulo, rua Ferreira de Araújo, 625, Pinheiros.

Janete Costa morreu no último dia 28 de novembro, em Olinda.

Seguem trechos de um texto biográfico sobre Janete, preparado pela jornalista e crítica Adélia Borges:


"Nascida em 3 de junho de 1932 em Garanhuns, PE, Janete formou-se em Arquitetura no Rio de Janeiro e desenvolveu uma carreira marcada por grandes contribuições nos campos da arquitetura de interiores, design expositivo, design de produtos e divulgação da arte popular e do artesanato brasileiros.


Ela teve um empenho visionário na questão de que a arte, o design e a arquitetura em nosso país precisam expressar as identidades culturais locais. Em sua trajetória, exercício profissional e vida pessoal sempre andaram junto com o exercício da cidadania. Teve uma ação decisiva em valorizar não só a arte popular brasileira, mas também os artistas, procurando sempre contemplar a questão da inclusão social e da geração de renda por meio de seus projetos.


Janete fez a curadoria e montagem de dezenas de exposições, entre elas Artesanato como um caminho, Fiesp/Ciesp, São Paulo, 1985; Bienal de artesanato, Centro de Convenções, Recife, 1986; Viva o povo brasileiro, Museu de Arte Moderna-MAM, Rio de Janeiro, 1992; Arte popular brasileira, Riocult, Rio de Janeiro, 1995; Arte Popular Brasileira e Arte Popular dos Estados, Carreau du Temple, Paris, 2005 (Ano do Brasil na França, convidada pelo governo brasileiro), Que Chita Bacana, Sesc Belenzinho, São Paulo, 2005, Somos-Criação Popular Brasileira, Santander Cultural, Porto Alegre, 2006, Do Tamanho do Brasil, Sesc Avenida Paulista, São Paulo, 2007; e Uma Vida - Janete Costa e Acácio Gil Borsoi, Museu do Estado de Pernambuco, Recife, 2007.


Como arquiteta, realizou projetos em bibliotecas, cinemas e auditórios, clubes, edifícios públicos, escritórios, galerias, hotéis, prédios comerciais e residenciais, lojas, museus, salas VIP, restaurantes e teatros. Fez edifícios públicos, palácios de governo, clubes, cinemas, teatros, escritórios, museus, salas vip de aeroportos.  Foram mais de 3.000 projetos em meio século de atividades. Toda a experiência que adquiriu em 2.000 residências ela foi passando nos últimos anos para os hotéis. Seus projetos preenchem todos os requisitos técnicos da hotelaria internacional mas ultrapassam as receitas rígidas da hotelaria suíça e da americana, resultando em espaços com personalidade e expressão cultural.


O trabalho de Janete em design de produtos foi uma decorrência de sua atuação nos interiores, como arquiteta e decoradora. Em sua obsessão pelo detalhe, se não encontrava na produção industrial o que imagina para um ambiente, ela própria desenhava os elementos que iriam compô-lo - da cadeira à luminária, da colcha ao castiçal, lidando com facilidade com materiais como granito, mármore, vime, vidro, madeira, metal etc. A execução desses projetos era confiada, sempre que possível, a comunidades e cooperativas de trabalhadores.


Embora movida muito mais pela intuição do que pela razão, Janete pode ser considerada uma grande educadora. Clientes, estagiários, amigos são unânimes em afirmar que aprenderam a olhar, discernir e conhecer arte por meio da convivência com Janete. Vários arquitetetos e decoradores, sobretudo do Nordeste, dizem pertencer à "escola Janete", aquela em que a cultura erudita e a popular eram absorvidas em pé de igualdade. Com os clientes, nunca exerceu uma ditadura do gosto, antes os levava a uma valorização de suas próprias histórias, somadas às vivências que ela proporcionava.


Personalidade eclética e vibrante, apaixonada pelo que fazia e pelas pessoas, Janete Costa foi uma grande brasileira."
 

Mara Gama às 20h32

04/12/2008

Brasil Arquitetura expõe em Tóquio projetos de centros culturais e mobiliário

 

 

"Buscamos uma arquitetura criada a partir de profunda conexão com as bases culturais de cada lugar e protagonistas. E nem por isso podemos dizer que, ao abordar estes aspectos, ela seja regional. Não! Uma vez que as bases culturais de qualquer sociedade ou povo sejam as dimensões humanas de relacionamento e comunicação, a arquitetura será sempre universal. Universais são questões como convivência, busca de tolerância entre diferentes, busca de conforto e desenvolvimento criativo das técnicas, dos modos de viver e habitar o mundo."


O texto, de Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci, foi transformado na mandala gráfica com caracteres japoneses que você vê na foto acima e que está aplicado na parede do Tokyo Art Museum, no Japão.


Ele explica o partido do escritório Brasil Arquitetura, fundado em 1979, comandado pelos dois arquitetos e tema da exposição "Genetics of Brazilian Architecture - Encounter and Renaissence", que fica até dia 28 de dezembro no museu japonês, criado por Tadao Ando.

 


No centro da Mandala, uma miniatura da cadeirinha Girafa, produzida pela Marcenaria Baraúna.


A mostra traz fotos e objetos e se organiza em módulos.

 


"Arquitetura de mobiliário" traz peças da Marcenaria Baraúna, que desde 1986 produz os móveis desenhados pelos arquitetos.


"Na Baraúna, projetamos móveis "de arquiteto", se é que se pode dizer assim. Os raciocínios, os conceitos, o modo de abordar cada questão são os mesmos adotados nos projetos de edificação ou de urbanismo. A lógica da estrutura, do equilíbrio, do comportamento e da resistência dos materiais, do conforto, da economia de meios e insumos, da essencialidade, tudo nos leva à explicitação do sistema construtivo.

 

Móveis sem "bagaços", sem sobras, que seguem a lógica das máquinas e ferramentas e só sobrevivem se têm um bom funcionamento, se atendem ao seu fim. Móveis que precisam durar, que têm de ser econômicos e belos ao explicitar com precisão seus propósitos, ao responder às necessidades e anseios de seu tempo.", diz o texto que acompanha a mostra.

 

 


Os três projetos arquitetônicos selecionados tratam de espaços culturais e museológicos que partiram de construções já existentes. o Museu Rodin, em Salvador (BA), o KKKK, de Registro (SP), e o Museu do Pão, no moinho Colognese de Ilópolis (RS).


O Museu Rodin, projeto de 2004 para abrigar a primeira filial da instituição fora da França, se instalou num prédio de arquitetura eclética do início do século 19 (1912). O Palacete Comendador Catharino recebeu novo bloco de concreto e vidro para suas exposições temporárias.


Com forte apelo simbólico, os projetos do KKKK e do Museu do Pão são exemplares na reocupação de espaços que protagonizaram o contexto histórico que agora  retomam.

 


O conjunto KKKK de Registro, São Paulo, é projeto de 1996. A recuperação partiu dos edifícios de tijolo aparente erguidos em 1924 para abrigar operações comerciais, administrativas e industriais da Companhia Ultramarinha de Desenvolvimento KKKK (Kaigai, Kogyo, Kabushiki, Kaisha).

 

 

 

 

 


A empresa foi responsável pela introdução de 450 famílias japonesas na colônia de Registro e se ocupou da organização do plantio do arroz, de seu beneficiamento e do transporte.

 


O projeto da Brasil Arquitetura implantou no conjunto o Memorial da Imigração Japonesa do Vale do Ribeira, onde está um acervo de obras de artistas plásticos de origem japonesa radicados no Brasil além de objetos industriais e documentos cedidos pelas famílias descendentes dos colonos.

 


O Museu do Pão, projeto de 2005 inaugurado este ano, se instalou num moinho de farinha, erguido com a técnica trazida pelo imigrante italiano e o material local -madeira da araucária. Além da reocupação do espaço como moinho de milho, ali foram criados o Museu do Pão e uma escola para padeiros.

Mara Gama às 20h38
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Mara Gama é jornalista com especialização em design.

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