25/04/2009

Sábado na Triennale de Milão


 

A Triennale tem uma programação especial durante os salões de design, que começaram no dia 22 e vão até o dia 27 de abril em Milão. A cidade está tomada por um turismo diferente. Produtores, industriais, criadores, comerciantes, representantes e estudantes fazem o circuito dos salões, que ficam instalados num grande complexo de feiras, no noroeste da cidade, e o circuito "Fuori Saloni", que já é bastante grande e estabelecido.

Neste circuito "fora dos salões" estão as mostras de museus, galerias, lancamentos de publicações, livros, filmes, debates e também feiras pequenas de design.

A Triennale, instalada num grande prédio ao lado do parque Sempione, tem algumas mostras para o período. A mais singela é a do prêmio Émile Hermès. Comecei por ela o meu sábado milanês. 


 

 "A Leveza do Cotidiano", muito bem montada em um nicho de panos simplissimos bordados e estirados em quadros de madeira, tem pequenas jóias, como um selim que vira bolsa de couro, do designer dinamarquês Ian Mahaffy, e o banquinho premiado, o "Bronco", de Simon Lecureux.

 

 

Também merece destaque o simples abajour de usar dentro do armário, para pendurar num cabide, do italiano Silke de Vivo

 

Mara Gama às 17h57

Futurismo faz 100 anos

 

 

Os jardins da Triennale de Milão receberam uma mostra comemorativa dos 100 anos do futurismo. Projetos de escultura de Giacomo Balla, um dos mentores do movimento que foi bastante forte na Itália, foram produzidos em grande escala, com suas cores fortes, e instalados na área externa da Triennale. 

 

 

 

Os jardins também ganharam, desde o dia 22, por causa dos salões de design, uma escultura luminosa do artista inglês Cerith Wyn Evans. Tem seis metros de diâmetro e é visível de noite como se fosse uma núvem de néon flutuante. A instalação se chama "Invocation".

 

Mara Gama às 17h48

História do design italiano na Triennale


A Triennale de Milão tem uma programação especial durante os salões de design.


No seu prédio, instalado ao lado do Parque Sempione, está o Museu do Design, que traz uma mostra para contar a história do design italiano através de seus grandes marcos, ícones.

"Serie Fuori Serie" (série fora de série) é o nome da mostra que traz utensílios, meios de transporte, mobiliário e todo tipo de objeto, finalizado ou em protótipo.

 


A idéia é fazer o visitante percorrer um percurso análogo ao do criador, da indústria e da história.


Um esquema apresenta as características da produção industrial para os objetos experimentais, em pequena série e em grande série e as subdivisões desses formatos de produção.

 


O público lotou o prédio no sábado, dia 25, nesta e em outras mostras, aproveitando o último dia de sol antes da chuva anunciada pela meteorologia por aqui para os dias finais dos salões, que vão até a segunda, 27.

Mara Gama às 17h43

Modulados para áreas externas

 

O designer alemão Wolf Udo Wagner criou para a Fischer Möbel a linha Univers, que ganhou o If Award de 2009, talvez o mais abrangente prêmio internacional de design. A linha Univers está exposta no Salão Internacional do Móvel de Milão, onde o BlogDesign está, desde o dia 21 e até o dia 28, para fazer a cobertura para o UOL.

 

As peças chamam a atenção do público pela simplicidade do desenho e pelo material muito leve.  Muita gente se senta e se recosta para sentir a textura e saber se é confortável. É confortável sim.

 

Para terraços, varandas,  jardim, clubes, locais públicos, parques, áreas externas em geral. A modulação permite inúmeras montagens diferentes.

 

O material dos módulos é uma espuma de poliuretano de grande densidade. Os módulos são aplicados numa base de madeira resistente à água para manter as formações escolhidas.

 

Mara Gama às 08h20

Novo banco da Thonet


A mais tradicional fábrica de móveis do mundo, a Thonet, lança agora em abril o banquinho de bar 404, desenhado por Stefan Diez. O lançamento está sendo apresentado em Milão, no Salão Internacional do Móvel. No estande da Thonet aqui no salão, os banquinhos e mesas ficam dipostos como num bar. 

 


O assento de madeira encurvado se apóia sobre três pés, unidos por uma lâmina curva na parte dianteira para apoio dos (nossos) pés.

 


A única coisa que não é de madeira é uma fita de pvc exatamente nesta lâmina, para que o atrito dos sapatos não danifique a peça.

O banco é superconfortável e seguro.

Para comemorar o aniversário de 150 anos da cadeirinha 214, a empresa lançou também uma edição especial.

A cadeira desenhada por Michel Thonet em 1859 e que já alcançou a marca das 50 milhões de unidades foi reeditada em madeira clara e com assento branco ou colorido.

Também foi reeditada a S-43, desenhada por Mart Stam em 1931. Onze novas cores começam a ser vendidas pela fábrica.

 

Mara Gama às 07h55

Tramas abertas da Gervasoni

 

 

A poltroninha de trama de borracha é um dos destaques da coleção Sweet da Gervasoni, desenhada por Paola Navone. Foi o item que mais chamou a minha atenção no ambiente montado pela empresa no Salão Internacional do Móvel, aqui em Milão. Segundo a assessoria da empresa, a cadeira é inspirada numa tradicional cadeira filipina chamada de papasan.

 

 


A coleção da Gervasoni tem materiais bem diferentes em combinações interessantes.

 


Vime, bambu e rattan em grandes estruturas e largas tramas fazem um bom mix com os sofás e camas de blocos de espuma macios e marcados em todas as linhas para ressaltar o desenho.

 

 

 


Também se destaca o pufe desenhado pelo estilista argentino Martin Churba. É coberto por malha de tricô bem larga. É muito confortável.

Mara Gama às 06h57

24/04/2009

Estantes com materiais diferentes

Em 2008, uma das imagens frequentes no Salão Internacional do Móvel eram as estantes com nichos diferentes, alguns personalizáveis, aplicados diretamente na parede ou compostos em blocos suspensos ou apoiados no chão, componíveis.

 
Este ano. a dimensão do "personalizável" parece ter chegado ao razoável, com medidas padrão para livros de arte, livros de literatura, CDs, DVDs e objetos para exposição, variações mais ou menos imagináveis e práticas, espaço para uma grande TV plasma ou LCD, e o uso de portas de correr de materiais diversos para fazer o jogo de esconder ou abrir parte do conteúdo da estante, segundo a ocasião.

Se o uso dos materiais diferentes é proposital para sinalizar usos diversos ou não, não dá para saber. Mas o fato é que quando você vê assim, parece que assim fica melhor, mais compreensível.

 

 

 

 

Estantes de Piero Lissoni, para Porro. Foto: Divulgação - Porro

 

Estantes com uso de materiais diferentes 

Mara Gama às 22h16

Crise? sim

Muitas casas de design mostram este ano no Salão Internacional do Móvel os mesmos produtos que mostraram o ano passado, com ligeiríssimas diferenças.


A crise econômica internacional também atingiu o mercado de luxo? Parece que a resposta é sim. 


O público dos salões é visivelmente menor. O movimento do local, a Feira Rho, acaba mais cedo. Nesta sexta, 24, as 18h, meia hora antes do encerramento oficial da visitação, vários estandes já estavam fechados ou encerrando as atividades. O glamour das estandes também parece menor.


A profusão de folhetos e CDs com imagens para imprensa também diminuiu sensivelmente, o que mostra que menos dinheiro está sendo gasto com divulgação e propaganda. No ano passado, a maior parte das casas produtoras ou lojas distribuía material impresso e CDs em profusão. Este ano, em seu lugar vieram os flyers simples, com endereço de internet onde se pode fazer  download de imagens para divulgação. Mais prático e econômico.


Os salões começaram no dia 22, e vão até dia 27. Os números ainda não saíram. Mas dá para apostar que não serão como os do ano passado.

Mara Gama às 22h08

Sísifo

Na edição do jornal “La Repubblica” de hoje, uma ótima entrevista com a arquiteta Benedetta Tagliabue, autora do projeto do famoso mercado de Santa Catarina, em Barcelona, do pavilhão espanhol para a feira de Xangai, em 2010, e líder do escritório europeu EMBT. Tagliabue mora em Barcelona. Entre outros assuntos, falou ao “La Repubblica”  sobre os salões de Milão:

“Faço sempre uma visitinha à Euroluce (mostra bienal de iluminação), porque, no passado, tentei fazer uma luminária com a Fontana Arte. Enorme, para grandes espaços. Depois de muitos protótipos, assumimos que não funcionava. Há uma coisa que não percebemos quando passeamos de estande em estande: para sair com um produto vencedor e dar carta branca a arquitetos e designers, uma empresa faz esforços incríveis. Depois, se alguém faz sucesso no mercado, é imediatamente copiado. É um trabalho de Sísifo.”

Mara Gama às 16h19

As gêmeas de Philippe Nigro e +


A mostra da entidade francesa de valorização da inovação no mobiliário, VIA, na Zona Tortona, em Milão, durante o período dos salões de design, traz projetos Philippe Nigro (com dois projetos), Itamar Burstein, Constance Guisset (dois projetos) e mais oito designers que obtiveram apoio, divulgação e produção de protótipos este ano. 


Nigro é um dos expoentes da geração e já foi apoiado pela VIA em outras iniciativas nos anos anteriores. Suas cadeiras "Twin" são complementares. Empilhadas, viram uma cadeira só. Ideais para economia do espaço. O projeto da base "universal" para mesas também se destaca pela simplicidade e bom desenho, resolvendo com pouca ferragem e sistema simples de ajuste o programa de uso.

 


Economia de espaço e bom desenho do projeto das cadeiras "Twin" de Nigro, editadas pela Ligne Roset; Fotos - Marie Florès

 

 

Ferragem de encaixe simples e versátil na base universal para mesas de Philippe Nigro, editado pela Ligne Roset; Foto - Marie Florès


Pela praticidade e bom desenho, a estante de Burstein também se destaca. É leve, feita com peças modulares, de madeira sem pintura, montada apenas com encaixes de pinos em cavilhas. O empacotamento é simples, reduzido, e a montagem ultrafácil.

 

Montada apenas com encaixes de cavilhas, a estante "Unit" de Itamar Burstein; Fotos - Marie Florès

 

Constance Guisset asssina a cadeira dançante ("Rocking-chair"); Foto - Marie Florès


O protótipo para a mostra foi feito por uma das empresas que se beneficiam do ciclo de empregos gerado pelas mostras do programa francês, a produtora de protótipos La Fabrique, representada por Fabrice Poncet, que mostrava o produto explicando seus componentes para os visitantes.


Todos os minifolhetos de divulgação das peças da exposição da VIA trazem nos créditos os responsáveis pelos protótipos, além dos materiais e dimensões.

 

Mara Gama às 08h35

Minimalismo no ambiente equilibrado

 

Ambiente criado pelo arquiteto Philippe Rahm, com três alturas de temperaturas diferentes; Foto - Aurélien Dupuis

O maior prêmio da VIA (entidade francesa de valorização da inovação no mobiliário) é o "Carte Blanche", destinado a um ou mais designers que tenham demonstrado originalidade e maturidade criativa. Para o "Carte Blanche", os profissionais da VIA envolvidos na seleção garantem todo o desenvolvimento do projeto prospectivo, do detalhamento técnico de cada elemento ao projeto de apresentação, dossiês. 

O arquiteto Philippe Rahm foi selecionado para 2009 com um ambiente que prevê captação de luz, geração de energia para o ambiente interno, climatização, aquecimento do piso, equilíbrio de temperatura entre diversas zonas do ambiente, iluminação interna balanceada e troca de ar. O projeto harmoniza o programa de forma a naturalizar o ambiente, tomando temperatura, insolação e ventos da região como padrão para parametrizar os índices internos.

Captação e filtros de ar do ambiente criado pelo arquiteto Philippe Rahm, que regula movimentos de saída e entrada de ar segundo a temperatura interna; Foto - VIA/Rahm

A iluminação do ambiente tem uma função automática, que regula a iluminação de acordo com a luz natural, e uma manual; a automática tem como padrão a luminosidade de meia estação de maio de 1832 na França, ano em que a primeira indústria movida a carvão se instalou no país, iniciando o período de poluição ambiental, segundo o arquiteto.

Rahm desenvvolveu estudo para três zonas de conforto no ambiente, com três alturas que têm temperatura e arejamento variados, para serem usados de acordo com a atividade a ser executada pelo morador. Como mobiliário, propõe um módulo simples, de encosto e base.

Iluminação tem função automática que segue a luminosidade de meia estação de maio de 1832 na França, ano em que a primeira indústria movida a carvão se instalou no país; Foto - VIA/Rahm

O segundo projeto é o de parceria viabilizada pela VIA. Este ano, o designer François Azambourg se uniu à DCS (Design Compositives Solutions) para desenvolver uma fibra alternativa à madeira para modelar mobiliário.

 

Mesa e cadeira com fibra para modelar mobiliário desenvolvida pelo designer François Azambourg e pela empresa DCS; Foto - VIA/Azambourg/DCS

Mara Gama às 08h23

Fomento ao design francês


A superpresente entidade francesa de valorização da inovação no mobiliário (VIA - Valorisation de l'Innovation dans l'Ameublement) expõe na galeria Magma Pars, na Zona Tortona de Milão, pelo oitavo ano consecutivo, os projetos apoiados pelo programa anual de assistência à criação.

 

A VIA recebe por ano cerca de mil dossiês com pedido de subvenção para desenvolvimento de projetos. Com uma comissão de profissionais notáveis - professores, criadores, distribuidores, industriais, projetistas e jornalistas especializados - seleciona os projetos que serão beneficiados a partir de três critérios: inovação, tecnologia e novos materiais. Em 2009 um outro critério se somou: o do destino dos objetos e do seu impacto no meio ambiente.

 


A entidade financia a produção de protótipos e coloca os designers em contato com a indústria moveleria, produtores e manufaturas. Em 2009, foram 15 os projetos selecionados.

 

O modelo de trabalho é simples e a VIA está presente em grandes mostras e feiras de design no mundo todo.

Mara Gama às 08h11

23/04/2009

Otto Stupakoff


Morreu na madrugada de quarta, 22, aos 73, o primeiro e um dos mais importantes fotógrafos de estilo do Brasil, Otto Stupakoff.

Stupakoff estava morando no Brasil desde 2005, depois de anos nos Estados Unidos e em viagens.

Começou a fotografar nos anos 1940, quando morava no Rio Grande do Sul. No início dos anos 1950, iniciou seus estudos de fotografia no Art Center College of Design de Los Angeles, Califórnia. Durante este período de formação, documentou durante dois meses os ensaios do The New York City Ballet, em uma temporada em Los Angeles, conduzido por George Balanchine.

Considerado o primeiro e o mais notável fotógrafo de moda do Brasil, publicou nas revistas "Módulo", "Senhor", "Harper's Bazaar", "Life", "Esquire", "Glamour", "Elle" e "Look". Em 1963, assinou uma das primeiras capas fotográficas da revista "Cláudia", lançada no mercado dois anos antes. Contemporâneo do desenvolvimento da indústria têxtil no Brasil e dos sintéticos que impulsionaram as coleções de prét-à-porter, trabalhou por muitos anos como fotógrafo especial da Rhodia.

Stupakoff tem fotos nas coleções do MoMA, Nixon Library e Staley-Wise Gallery, nos Estados Unidos, no Museu de Haia, na Holanda, no Museu de Antropologia do México e no Masp de São Paulo, além de integrar a coleção Pirelli. Premiado pelo Art Director´s Club, em 1965, recebeu na França o Dupont Award, em 1976, e o Club des Directeurs Artistiques, em 1980.

O designer Sérgio Rodrigues atribui a Stupakoff a encomenda do sofá Mole, em 1957. O fotógrafo queria um móvel confortável para seu estúdio. Um ano depois, em 1958, foi de Stupakoff a primeira foto de divulgação do sofá Mole, tirada na praia do Leblon, no Rio, no meio da areia. Á idéia foi de Sergio, e Stupakoff concordou: "vai ficar bem brasileira". Uma onda empapou o sofá e Stupakoff clicou.  Depois veio a idéia de fazer a cadeira Mole. É o objeto de design brasileiro mais conhecido até hoje fora do Brasil.

 

Leia entrevista de Stupakoff ao UOL em 2005

Mara Gama às 17h04

Aperitivo da Danese Milano

 

Danese Milano é uma empresa coordenada pela designer Carlotta de Bevilacqua.

 


No estande da Euroluce este ano chamam a atenção duas soluções muito bem desenhadas e com pegadas completamente diferentes e alinhadas com o manifesto da Danese que prevê os seguintes direitos; fluidez e liberdade, acessibilidade, experiência perceptiva e qualidade.

 

Nesta página a luminária Una, de Carlota, e a série Studio 63, de Miyako

 

Mara Gama às 08h04

Síntese construtiva

 


Nuno Soares aprimorou sua idéia de síntese do mobiliário modular na cadeira dupla. O arquiteto Nuno Soares, que vive e trabalha e Macau, já tinha exposto no Satélite no ano passado uma cozinha condensada em caixa com rodízios, publicada aqui no BlogDesign.

 


A Cadeira Dupla é feita de dois módulos iguais. Quando apoiados um sobre o outro, resultam uma poltrona com braços. Quando separadas e coloccados lado a lado formam um sofá. Se apoiados e ligeiramente deslocados formam a poltrona com uma mesinha de apoio lateral, para livros.

 

 


Tudo em material barato e sistema de encaixes e colagem. "Constraction' é a marca de Nuno Soares.

Mara Gama às 08h01

Funções surreais, por Alice Wang

Você se senta nas quatro pernas da cadeira ou apenas em duas? Você treme constantemente as pernas? Deveriam existir diferentes cadeiras desenhadas para pessoas com diferentes hábitos de sentar?


Alice Wang é a jovem artista coreana que formula estas e outras perguntas justificáveis e corretas para um designer e ilustra, com suas criações, um sistema ficcional de humor fino e ironia, que brinca com as idéias de funcionalidade e racionalidade.


Alice expõe pela primeira vez no Salão Satélite de Milão, o espaço reservado para pesquisas, estudos, experimentações.


Á primeira vista, a não ser por uma cadeira com dois pés muito mais baixos que os outros dois, você poderia pensar que as cadeiras são apenas um pouco diferentes.


De plantão no estande, ela explica as "Cadeiras para o desfuncional", nome da coleção.


"Constant Shaker" é uma cadeira com um dos pés deslinhado, saindo obliquamente do assento. Neste pé está aplicado um contador de calorias, que mede o gasto com o ato de sacudir as pernas. No folder que distribui aos visitantes, Wang escreve: "Pesquisadores acreditam que os movimentos musculares inconscientes podem ser causados por uma química do cérebro para induzir a queima de calorias."

 


"Equality Seeker" é a cadeira com pés de 1,40 metro, marcados e talhados a cada de 0,5 mm, para que possam ser cortados de acordo com a escolha do freguês. Parece muito útil. Mas seria necessário ter um serrote sempre à mão. Além disso, a justificativa para o corte é: "Pesquisas mostram que pessoas altas têm mais chances de sucesso, o que pode ser resultado da seleção natural. Para que as pessoas baixas possam ter a chance de sobreviver na sociedade moderna, essas cadeiras são especialmente desenhadas para todos serem iguais à mesa. Quanto maior a pessoa, mais baixa a cadeira."

 

 


E para os acostumados com as comunidades online, como Facebook e Twitter (são as comunidades citadas por Alice, em seu texto) a cadeira com "Status Announcer". É uma cadeira regular com um pino na parte de trás do encosto onde podem ser colocadas plaquinhas de acrílico com as palavras "single', "married", "invisible". O texto de Wang:  "Aqueles que estão acostumados a publicar sua vida pessoal online talvez tenham dificuldade para se ajustar a cenários públicos na vida real e talvez percam a habilidade de falar ou interagir com os outros cara a cara. Esta cadeira permite à pessoa que atualize seu "status" assim como o faz em seus perfis online".


Ao inserir todas essas "funções" surreais em objetos nem tão estranhos assim, a artista brinca com necessidades, ansiedades e manias contemporâneas. Materializa soluções que questionam, pelo estranhamento, o impulso gerador. O resultado cria um efeito de jogo ficcional maior que as próprias peças. Contamina o humor de forma positiva.  Você pode se perguntar, por exemplo, se não estariam espalhados pelo mundo milhões de outros objetos novos cheios de "segundas funções".

Mara Gama às 05h47

22/04/2009

O acaso flexível e a serpente de Ingo Maurer

Modelos de mesa e teto da “Zufall” no estande de Ingo Maurer na Euroluce, salão de iluminação que acontece em Milão

 

Ingo Maurer, um dos mais ativos e inventivos designers de iluminação, participa da Euroluce, o Salão dedicado à iluminação. Os destaques do estande são as luminárias “Zufall” e “Aliz Cooper”.

O “mago” Maurer (definido assim pelo designer Alessandro Mendini) diz que a “Zufall” nasceu por acaso e por isso ganhou o nome (zufalle quer dizer acaso, coincidência, em alemão).

Ele estava fazendo um outro objeto e, ao manusear uma parte feita em silicone, sentiu que o material era fluido, agradável ao tato, sensual, e que queria criar algo novo, que lhe desse alma. 

 

A “Zufall” tem uma versão de mesa, estruturada, que pode ser torcida, e uma versão de teto, pendente em uma tira mais mole de silicone. A de mesa usa LED de 5W. E a pendente usa uma lâmpada tradicional. O cordão de silicone pode ser ajustado com nós ou laços para ficar mais próximo ou distante da mesa.

"Aliz Cooper"

A “Zufall” nasceu alguns meses depois da serpente “Aliz Cooper” (referência ao roqueiro, que usava cobras em suas performances), em tubo de metal emborrachado. A “Aliz Cooper” tem uma "cabeça" no formato de cobra e o corpo pode ser enrolado, estirado, espiralado e pendurado. Tem versão de teto e de mesa. 

Mara Gama às 21h20

Utilidade, por Tom Dixon


A nova coleção do designer Tom Dixon se chama Utilidade. Usa "os mais básicos e primitivos materiais repensados para a era moderna".

luminária Bowl

Luminárias de vidro, mesas esmaltadas e mesas laqueadas fazem parte do nova safra, que vende a durabilidade como qualidade essencial.

 

Dixon nasceu na Tunísia e se fixou na Inglaterra em 1963. Tem peças suas no Victoria & Albert Museum e em museus de Nova York, Paris e Tóquio. Recebeu em 2001 a Ordem da Coroa Britânica e foi nomeado designer do ano pela "Architektur and Wohnen Magazine" em 2008.

 

Segundo sua bio publicada no site, largou a Chelsea School of Art para tocar baixo na banda Funkapolitan.

 

Abaixo duas das mais interessantes peças da coleção Utilidade: a mesa Screw, de três pés de metal e tampo de mármore, que lembra os banquinhos de piano, e a luminária vermelha Lean, para mesas de apoio ou criados mudos, com luz direcionada para leitura lateral.

 

mesa Screw

luminária Lean

Mara Gama às 06h38

21/04/2009

O processo


Defeitos e qualidades de um lançamento serão levados ao tribunal num dos eventos paralelos aos salões de Milão.

a cadeira "processada" de Gcric

O "Processo ao Design", segundo os organizadores, terá acusação e defesa. O designer e o produtor vão atuar apenas como testemunhas, analisando e aceitando ou não as provas levantadas.

 

O "elenco" é promissor: O objeto é a uma cadeira de escritório 360, da Magis. A acusação ficará por conta de Jonathan Olivares, a defesa pela curadora do MoMA Paula Antonelli e as testemunhas são Konstantin Grcic, o criador da linha 360, e Eugenio Perazza, da marca Magis
 

versão com pés mais altos

Dia 23, 17h, no Teatro do Triennale Design Museum

Mara Gama às 17h05

Olafur Eliasson designer

 

 A capa da "Abitare" é imagem ilustrativa da "Starbrick", a luminária projetada pelo artista dinamarquês Olafur Eliasson, cujo protótipo será mostrado a partir de hoje no showroom de Sawaya & Moroni, em Milão.

 

 Na entrevista (neste link, em italiano) que deu à revista, Eliasson explica que o "tijolo" oferece três tipos diferentes de luz: 1- uma luz branca funcional, para direcionar sobre uma mesa de trabalho, por exemplo; 2- uma luz de ambiente, com intensidade controlada por dimmer e 3- uma luz interna amarela, que foca o caleidoscópio no coração da luminária, acionável separadamente.

 

Respondendo a uma pergunta sobre sua pegada industrial, o artista disse que admira muitos designers contemporâneos, mas sente falta no design atual do senso da perfomance, entendido como sinônimo de funcionalidade e desempenho na cena.

 

Mara Gama às 16h06

Utilitarismo


Artigo e fotos publicadas no "New York Times" lançaram aposta sobre o tema-tendência dominante no Salão Internacional do Móvel de Milão, que começa nesta quarta, 22: o utilitarismo, com atitude “espartana” dos designers e gerando como resultado objetos minimalistas.

Fotos das criações de Ronan e Erwan Bouroullec, Shigeru Ban, Philippe Nigro, Paolo Cappelo e Nacho Carbonell ilustram a tese do artigo de Alice Rawsthorn. 

O sistema modular de perfis em L de Shigeru Ban para a Artek é exemplo do utilitarismo para NYT 

 

Vídeo com música do The Capitains e os vegetais de Ronan e Erwan Bouroullec 

A articulista considera que, apesar de haver atualmente feiras importantes em praças como Nova York, Paris, Londres e Tóquio, os salões de Milão ainda são o espaço mais importante para jovens designers alcançarem projeção e empresas lançarem novos produtos. Em parte pela qualidade da manufatura local (embora tenha passado parte da produção para a Ásia), em parte pela herança dos grandes criadores do século 20, como Enzo Mari e Achille Castiglioni, cujos trabalhos são visíveis na cidade.


A propósito, destaca este ano os lançamentos da casa de mobiliário francesa Moustache, da italiana de tapetes Nodus, (que tem Paolo Cappello como diretor) e o projeto da Sktisch, que existe em Paris e Londres e diz ter investido 12 a 16 milhões de euros para abrir sua loja de 600 metros quadrados em Milão.

Mara Gama às 13h58

Salões de design em Milão

 

Começam nesta quarta os salões de 2009 em Milão. O BlogDesign está na cobertura, direto da Itália.

 

Este ano, de 22 a 27 de abril, acontecem simultaneamente o 48 Salão Internacional do Móvel e o 23 Salão Internacional de Complementos de Decoração, ambos anuais e com exposições integradas; a 25 Euroluce, de iluminação, bienal; e o 12 Salão Satélite (anual), espaço para escolas, estúdios e jovens talentos ligados às universidades.

 

O espaço expositivo mostra a força de cada salão do ponto de vista comercial: dos 202 mil metros quadrados de exposição no total,  155 mil são destinados aos salões de mobiliário e complementos (com 1.496 expositores, dos quais 317 não-italianos), 43 mil metros para a iluminação e 4 mil metros quadrados para o Salão Satélite, que terá 167 estandes, com trabalhos de 702 designers, 420 dos quais não-italianos, e colaborações de 22 escolas internacionais de design.

 

Na visão de Manlio Armellini, um dos diretores da Cosmit (empresa que produz e coordena os Salões), uma rápida panorâmica na produção das 2.723 empresas neste ano mostra que a crise econômica não conduziu a um processo de embotamento criativo ou de aceitação ou timidez, mas provocou duas reações/atitudes antagônicas: de uma parte uma preocupação dos criadores com projetos que tenham mais concretude e ligação mais direta e clara entre objeto e preço e, de outra, os criadores que se refugiam em projetos de “sonho e excepcionalidade”.

Mara Gama às 13h42

19/04/2009

Exército no parque - objetos e imagens para recrutar

Não teria me lembrado que existia um Dia do Exército, 19 de abril, caso o parque Villa-Lobos, em São Paulo, não tivesse sido invadido no fim de semana por tendas, máquinas, objetos, equipamentos, roupas e uma campanha de imagens que eu não conhecia.

 

Rede de camuflagem feita pelo Arsenal de Guerra de Barueri, SP

 

Inflável do Recrutinha no parque Villa Lobos, São Paulo, 19 de abril, Dia do Exército 


O dia comemora a Batalha dos Guararapes, quando, em 1648, "índios, negros e brancos se uniram para defender o nosso território", segundo leio na revista "Recrutinha" número 9, que ganhei no parque.


A revista é publicada pelo Centro de Comunicação Social do Exército, com patrocínio da Poupex, do Banco do Brasil.
 

Já tinha visto no sábado, 18, barracas de acampamento montadas, homens de uniforme, quase todos de óculos escuros, fazendo demonstrações com caminhões camuflados muito altos, tanques, motos, lança-chamas, e distribuindo panfletos. As crianças e os adultos subiam nos caminhões, entravam nos tanques e ficaram seduzidos pelos objetos, posando, experimentando a posição de quem dirige, fazendo fotos com os equipamentos e ao lado dos soldados.

 

Tanque ligado em pleno parque Villa-Lobos


Fiquei espantada sobretudo com a animação adultos pelos tanques, roupas, armas. Eles sabem que isso não é brincadeira, pensei. Mas talvez a parafernália toda diga muito a um certo espírito de camping cultivado por aí. 

 

 

 Tucano, tecnologia brasileira, com pintura para treinamento

 

Me perguntei que diabos o Exército estava fazendo no parque. Será que a "ExpoEx" voltou? Aquela que acontecia no Ibirapuera, em plena ditadura, cuja música de trabalho era "ExpoEx, exposição do Exército! Leve seus filhos para ver, para ver e brincar. Leve seus filhos para ver, eles vão adorar!".


No domingo, depois que um ruído contínuo interrompeu minha caminhada, resolvi pegar os panfletos, perguntar e fotografar. O ruído insuportável era de um tanque. Movido a diesel, que "tem que ser ligado porque não pode ficar muito tempo sem ligar, senão estraga", segundo um soldado. Fiquei imaginando quantos tanques o Brasil tem, quando usa, para quê e quantas vezes os tanques não usados têm de ser ligados só para não estragar. Quantos litros de diesel vão nessa?


Caminhando um pouco mais fui percebendo a grande quantidade de barracas de atendimento dentário, exames auditivos, hospitais, medição de pressão e várias outras com menção às forças de paz, à atuação na selva e à proteção do meio ambiente.


A operação de recrutamento parece bem pensada: uma barraca de pintura de camuflagem no rosto para crianças estava ao lado da barraca de alistamento, que também propunha uma brincadeira de caça ao tesouro ou coisa assim.

 

 Soldados pintam rostos das crianças


Outra barraca que chamou bem a atenção das crianças foi a de adestramento dos animais, que exibia um esqueleto de cão enorme, preso numa gradinha, logo acima de um cão empalhado. As crianças pequenas acariciavam o cão empalhado numa boa. Ele estava do lado de um cabide com uma roupa grossa, parecendo de longe com o terno de feltro Joseph Beuys, usada para "para afiar a mordida dos cães", segundo o soldado que demonstrava os equipamentos, que não sabia do que era feita a roupa.

Barraca de adestramento de animais

coleira  que dá choque e cacetete


Na grade bem ao lado, vários instrumentos de treinamento (para humanos) e tortura (para cães) do exército: varinhas, porretes e coleiras que dão choque, por exemplo. Uma foto de um cão-herói muito simpático pode fazer pensar que talvez os cães tenham uma quedinha por uniformes e adereços bacanas como os das Forças Armadas. Caramba!

Foto de um "cão herói"


Em casa, fui ler a revista "Recrutinha" que peguei no parque. Na página 2, uma explicação sobre o projeto Amazônia Protegida, que por decreto do presidente Lula em julho de 2008 amplia de 21 para 49 o número de pelotões especiais de fronteira, aumentado, ainda mais, a defesa da Amazônia pelo Exército Brasileiro".


Seguem-se páginas sobre as atividades atuais do Exército no Amazonas, entre elas atendimento médico, escolar, emissão de carteiras de identidade, trabalho e título de eleitor, e também uma página sobre o Centro de Instrução de Guerra na selva, explicando que o exército "preserva a natureza".


Depois, mais páginas sobre a Missão Brasileira de paz no Haiti. Num balão, lê-se a fala do pesonagem Recrutinha: "Você pode não ver, mas estamos sempre presentes".

 

Mara Gama às 15h26
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Mara Gama é jornalista com especialização em design.

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