04/03/2010

A gráfica da música nos cartazes de Kiko Farkas

 

 

"Ritmo, harmonia, composição, conjunto, pausa, som, textura, direção, dinâmica, melodia, ordem, desordem". Com estes elementos, segundo o autor, Kiko Farkas, durante quatro anos, de 2003 a 2007, a equipe chefiada por ele criou 300 cartazes para os concertos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo - Osesp, período em que Farkas foi o responsável por toda a comunicação visual da orquestra.  

 

 


Uma coletânea de 110 destes cartazes foi reunida em livro bem editado, acompanhada por textos do próprio Farkas, do crítico musical e músico Arthur Nestrovski e dos designers e professores João de Souza Leite e Paula Scher.

 


Uma seleção da seleção -cerca de 50 cartazes- vai ser exposta a partir de terça, 9 de março, no Centro Universitário Maria Antônia - CEUMA, no novo edifício Joaquim Nabuco (r. Maria Antonia, 258, Vila Buarque, SP) e fica por lá até 11 de abril. Na abertura será lançado o livro, que tem edição bilíngue e preço sugerido pela editora de R$ 49. Neste post, você vê a minha seleção de cartazes, em imagens cedidas pela editora Cosac Naify.

 


Segundo Farkas, a produção era de seis cartazes por mês, em média. "Alguns foram feitos em menos de uma hora, outros levaram dias", escreve, no livro.

 


"Quando comecei a pensar em como enfrentaria esse enorme desafio, a primeira coisa que decidi foi que não usaria nenhum elemento normalmente associado à música de concerto. Imagens de compositores, instrumentos, teatros ou cidades, notações musicais como pauta, notas e outros símbolos. Nossa proposta foi trabalhar com os elementos que estão presentes na linguagem musical, mas que podem ser reinterpretadas visualmente". Integraram a equipe de Farkas os designers Elisa von Randow, Hugo Timm e Mateus valadares.

 

 
Além das características plásticas e poéticas de cada imagem e da interessante leitura das famílias de cartazes, o livro vale também pelos textos, principalmente para quem gosta de ou estuda design gráfico.

Didático e analítico, o texto do professor João de Souza Leite individuou dez procedimentos formais utilizados nos cartazes. Para Leite, a tipografia "é protagonista" na produção de cartazes de Farkas. Formado pela ESDI e atualmente professor da instituição e da PUC do Rio, Leite foi assistente de Aloisio Magalhães, consultor da Casa da Moeda e do Iphan, curador e autor de várias publicações.



Na elogiosa apresentação, Paula Scher diz que gostaria de ter feito os cartazes. E afirma que o conjunto demonstra a vitalidade persistente da forma (cartaz). Entre as qualidades que compõem um "cartaz irresistível", Paula cita: escala, complexidade, padrão, perspicácia, exuberância, tensão, força, lirismo, contenção e surpresa. A designer cita também a precisão tipográfica recorrente nos cartazes de Farkas.


Paula Scher entende do assunto. Professora, sócia do estúdio Pentagram, integrante de várias associações de designers profissionais nos Estados Unidos, ela começou a carreira com capas de discos para a CBS, trabalhou com identidade corporativa, material de promoção e embalagens para grandes empresas entre as quais Coca Cola e Bloomberg, e com comunicação institucional para museus de música, óperas, companhias de balé, teatro e orquestras. Criou a identidade visual do Public Theater de Nova York (um vídeo com imagens da indentidade visual do Public Teather você vê abaixo).

 

 

Uma crítica à edição: o livro não traz as datas dos cartazes. Informação fundamental para estudantes e historiadores. 

 

Mara Gama às 18h15

01/03/2010

Acreditando na idéia

A linha do tempo "Keeping Faith with an Idea" sobre o projeto e a construção do Museu Guggenheim de Nova York concorre a prêmio no festival interativo  South by Southwest (SXSW) Interactive Festival edição 2010 na categoria de projetos de arte.

 

 

A peça visual mostra documentos inéditos - segundo a curadoria do museu ;  cartas, fotografias, depoimentos em áudio e vídeo e filmes da construção do prédio.  O concurso tem ainda as categorias ativismo, comunidade, pesquisas educativas, experimental e música e o resultado sai em 14 de março.

 

telegrama de Wrigth

Um sistema de votação online para apontar a escolha do público está disponível no site do prêmio em  http://sxsw.com/node/4315

 

A indicação faz todo sentido. Além de explorar bem  - sem parafenálias e com elegância e fidelidade de estilo - o conteúdo do livro

"The Guggenheim: Frank Lloyd Wright and the Making of the Modern Museum," a peça tem boas proporções, bom dimensionamento de tipos, ocupa a tela e é leve para navegar. Preste atenção como a variação de tamanhos e famílias de letras entre as legendas, textos e demais títulos e textos se mantém a serviço da leiturabilidade e não de alguma idéia exterior.  Os álbuns de imagens são expansíveis e leves. O  conteúdo é bem roteirizado, seguindo de forma resumida as indicações presentes no livro.

Mara Gama às 09h56
Veja todos os posts
Perfil

Mara Gama é jornalista com especialização em design.

Perfil