05/05/2010

Engradados e empilhados

A ideia veio "da observação dos carregadores das feiras e catadores de papel. Seus carrinhos servem de suporte para caixas plásticas e de madeira, nas quais pode-se carregar quase de tudo", diz o arquiteto Mauricio Arruda.


A linha José, criada por ele, usa caixas de plástico coloridas, contidas em estantes de madeira e apoiadas sobre pés de ferro. São três desenhos até o momento: um bufê, uma cômoda e um criado-mudo.


"As caixas sempre me pareceram mais úteis e flexíveis que as normais gavetas", justifica Arruda.


Mauricio Arruda diz que a intenção da linha foi "produzir móveis por meio de processos e materiais que impactam menos o meio-ambiente".

 


Por isso, são usadas chapas de madeira Teka, que possuem selo de certificação ambiental FSC (Forest Stewardship Council). "A certificação florestal garante que a madeira utilizada em determinado produto é oriunda de um processo produtivo manejado de forma ecologicamente adequada, socialmente justa e economicamente viável, e no cumprimento de todas as leis vigentes", afirma.


O tratamento das chapas de madeira foi feito com cera natural de Carnaúba, para dispensar o uso dos acabamentos a base de solventes.


O formato dos móveis foi influenciado pelas dimensões das caixas existentes no mercado e para o melhor aproveitamento das chapas de madeira. "Num segundo momento, procurei formas dos móveis domésticos que fazem parte da memória da casa popular brasileira", diz Mauricio.
 

A montagem da estrutura de madeira do móvel pode ser feita com parafusos ou cavilhas de madeira.


"Já testamos as duas opções. Atualmente, damos essa opção para o cliente. A diferença é que a cavilha é um processo mais caro pois envolve uma mão-de-obra mais qualificada, apesar de ser mais sustentável. As caixas são apenas encaixadas e apesar de serem todas empilháveis são facilmente transportadas dentro dos móveis. Os pés metálicos podem ser armazenados e transportados dentro das caixas de madeira e geralmente são parafusados na estrutura de madeira já no seu destino final", explica.


A linha está sendo produzida artesanalmente e vendida pelo próprio arquiteto (os preços vão de R$ 1,6 mil a R$ 6,6 mil), e-mail: arq.mauricioarruda@gmail.com


Mauricio acredita que o projeto é industrializável, pelas características de produção, montagem e armazenamento.


As fotos deste post são de Felipe Morozini

Mara Gama às 19h35

02/05/2010

Estande do Brasil em Xangai

Realizado numa área de 2 mil metros quadrados na estrutura de estande-padrão reservada aos países que preferiram não erguer pavilhão próprio na Feira de Xangai, o espaço do Brasil foi projetado pelo escritório Fernando Brandão Arquitetura + Design.


O projeto venceu um concurso fechado feito pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos.


Só dez escritórios enviaram propostas, entre os 65 associados que aderiram a um convênio de cooperação. Os finalistas tiveram dez dias para fazer o projeto. O fato de o concurso ter sido fechado e conduzido apenas pela AsBEA e pela APEx foi motivo de crítica por parte de grupos de arquitetos em fóruns, listas na internet e reportagens em revistas de arquitetura brasileiras. 


O que ficou patente é que não houve investimento na ideia de um pavilhão representativo da arquitetuta brasileira, como já aconteceu em 1970, com o projeto para o Pavilhão de Osaka, de Paulo Mendes da Rocha, e em 1992 com o concurso para o pavilhão de Sevilha, vencido pelo projeto de Alvaro Puntoni, José Oswaldo Vilela e Angelo Bucci, que acabou não sendo construído, e a representação brasileira dividiu espaço com outros países. Abaixo, projeto do pavilhão de Sevilha.


Sem falar no célebre espaço do Brasil na feira de Nova York, em 1939, de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, marco fundamental para o reconhecimento internacional da arquitetura moderna brasileira.


Não vi pessoalmente, mas pela fotos disponíveis no site oficial o estande brasileiro parece muito chinfrim. A fachada é feita de tiras de madeira pintada de verde apoiadas sobre estrutura metálica. Uma visitante comentou que a impressão é que a trama é muito vazada e a aparência é de falta de acabamento. O tema do pavilhão é  "Cidades Pulsantes". O logotipo na fachada é a palavra Brasil entre parêntesis invertidos. Segundo o site oficial, simboliza algo vibrando e pulsando, conforme a linguagem dos desenhos animados. Forçou.

Mara Gama às 11h16

Xangai 2010




A Feira Mundial de Xangai, aberta ontem, 1 de maio, deve receber 70 milhões de visitantes nos seus pavilhões e estandes nos próximos seis meses. Numa área de 5,8 km quadrados, estão cerca de 200 representações de países. O tema é "Cidade Melhor,  Vida Melhor". A preparação do espaço e os investimentos em infraestrutura consumiram U$ 4,2 bi, segundo a Associated Press.

As feiras deste tipo são uma espécie de competição aberta internacional de projetos de arquitetura, iluminação, novos usos de materiais, projetos cenográficos, recursos multimídia, conceitos novos.

Segue aqui a minha seleção de projetos interessantes.

Desenhado pelo escritório catalão EMBT Miralles- Tagliabue, o espaço da Espanha tem 7 mil metros quadrados e o tema Construções Habitáveis. A fachada é recoberta por uma trama inspirada em cestaria e o prédio usa materiais leves como bambu e papel para proporcionar transparência da estrutura.

 

 

 

O projeto do pavilhão canadense se apoia nos valores de inclusão, sustentabilidade e criatividade. O escritório Saia, Barbarese & Tapouzanov foi o responsável pelo projeto. O pavilhão se dispõe numa curva que cria uma espécie de praça.  A fachada é composta de 4 mil metros de madeira certificada pelo Canadá e pela China. Todo o material pode ser usado depois da desmontagem da feira. Um painel verde de 15 x 40 metros funciona como filtro de ar.

 

Um dos atrativos do pavilhão da Suíça é o grande jardim na área superior, que pode ser visto a bordo do sistema de cabines móveis tradicionalmente usado nas estações de esqui.

 

Outro destaque é a fachada no pavilhão, com discos de resina com LEDs apoiados sobre uma rede metálica. O prédio tem 4 mil metros quadrados e é obra dos escritórios Buchner Brundler e Element GmbH, vencedores de concurso realizado em 2006. "Cidade e Campo"é o título do projeto.

 

O pavilhão do Reino Unido, do designer Thomas Heatherwick, tem dois elementos principais: uma espécie de cubo mais arredondado, formado de filetes de fibra, com 60 mil sementes de espécies do mundo todo, chamado de catedral das sementes, e uma estrutura planificada que é inspirada no formato de uma folha de papel que teria servido de embalagem ao cubo.

 

O pavilhão francês, de Jacuqes Ferrier, resultado de concurso internacioal com 47 escritórios, com fachadas e cobertura verde:

 

O pavilhão italiano, de GianPaolo Inbrighi

 

O pavilhao norueguês, de Helen & Hard, de Stavanger

 

 

 

Vencedor de um concurso público para o pavilhão da Dinamarca em 2008, o escritório dinamarquês BIG colocou no projeto as principais atrações de Copenhage.

 

 

 

O  uso de bicicletas, como meio para cidades mais humanas e ecológicas, o convivio em áreas verdes, e o porto - com água do mar, uma escultura de sereia e as visuais do skyline, foram os símbolos usados. O prédio poderá ser reutilizado após o final da feira e as bicicletas serão doadas para a cidade. Abaixo, o vídeo que explica a gênese da ideia.

 

Mara Gama às 10h19
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Mara Gama é jornalista com especialização em design.

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