02/12/2010

Inscrições para prêmio IDEA/Brasil estão abertas

Estão abertas até 31 de janeiro de 2011 as inscrições para a quarta edição do prêmio IDEA/Brasil 2011, que tem 19 categorias: Acessórios Pessoais, Ambientes, Casa, Comerciais & Industriais, Comunicação, Design de Interface, Design de Serviço, Embalagens, Entretenimento, Escritório, Estratégia de Design, Estudantes, Informática, Jóias, Lazer & Recreação, Médicos & Científicos, Pesquisa, Têxtil e Transportes Automóveis. Em cada uma das categorias há três distinções: ouro, prata e bronze.


O prêmio é promovido pela Associação Objeto Brasil, pela Apex-Brasil e tem parceria com o SEBRAE, a ABDI e o CNPq. Os projetos premiados na premiação brasileira participarão de uma segunda fase final do IDEA Awards, nos Estados Unidos.


Podem concorrer estudantes, profissionais e empresas de design. Para ser aceito no concurso, o produto ou projeto tem de ter tido distribuição comercial no Brasil entre os dias 6 de fevereiro de 2009 e 6 de fevereiro de 2011. Mais informações sobre o regulamento estão no site do concurso em www.ideabrasil.com.br. As inscrições podem ser feitas também no site e são pagas.

 

Mara Gama às 16h13

01/12/2010

Jum Nakao envolve e movimenta palavras de Darcy Ribeiro no MAM do Rio

Uma rede de pesca envolve os pilotis do prédio do Museu de Arte Moderna no Rio. Dentro dela, balões flutuam. NO chão, um imenso colchão convida ao repouso e à contemplação. É a instalação que o artista e designer Jum Nakao abre hoje em homenagem às idéias do antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997).

Jum Nakao posa para foto próximo à rede montada sob os pilotís do MAM do Rio - fotos: Anna Penteado

A pedido do BlogDesign, Jum conta aqui como surgiu a idéia do trabalho, como foi feita a instalação e quais as conexões com a obra de Ribeiro.

 

 

Jum Nakao posa entre obs balões da instalação no MAM do Rio

"Em setembro recebi convite do MINC, para participar do evento Brasilidade, com uma instalação nos pilotis do MAM RJ, aterro do Flamengo, um vão aberto entre o mar e a cidade.

Em minha primeira visita ao MAM o que mais me chamou a atenção foi a circulação de vento e pessoas.

Desde o primeiro momento, pensei em incorporar estes sopros na obra: o sopro do mar e o sopro dos sonhos do observador.

Instalamos no vão do MAM uma grande cama de 10 X 20 metros.

Utilizamos colchões de diversas densidades para criar um território instável, uma alternância de estados de gravidade nos possíveis percursos dentro da obra.

Contornando este colchão, instalamos uma grande rede transparente de pesca do chão ao teto.

Dentro deste espaço tecido pelo invisível, lançamos ao sabor do vento 9 mil balões transparentes com uma palavra impressa.

Um vento, também, invisível, mas perceptível em sua força e grandeza, assim como nossa língua, a língua portuguesa, que nos envolve e estabelece uma territorialidade imaterial irrestrita e que nos amalgama como um povo.

Em torno do espaço da nossa instalação, caixas acústicas propagam diversos trechos simultaneamente de fragmentos do depoimento do Darcy em muitas vozes representativas da diversidade do nosso povo brasileiro.

Esta profusão estético-sonora desordenada de diversidades de timbres, idades e sexo amalgamadas pela unidade da língua portuguesa constituem parte do primeiro contato com a obra.

Cria-se uma sincronicidade entre audível e visível: uma grande massa sonora e de palavras flutuam e criam um território ainda indecifrado e por adentrar.

No centro da obra temos a voz do próprio Darcy Ribeiro, em seu depoimento ao documentário "O Povo Brasieiro", de Isa Grispum. Nesta fonte, reproduz-se o depoimento de Darcy na íntegra.

A caminhada em seu sentido nos revela o sonho de Darcy e a conexão entre as 9 mil palavras escritas, flutuantes, sussuradas e faladas que constituem um sonho, O sonho de Darcy, um sonho de um brasileiro.

o convite da obra é sonhar, sonharmos juntos nesta grande cama, neste território brasileiro, afinal, um sonho sonhado sozinho é utopia, mas um sonho sonhado por muitos pode ser realidade.

Dedicamos a obra ao Darcy porque ele é o grande homenageado neste projeto Brasilidade pelo MINC.

Pessoalmente tenho grande reverência e afinidade com Darcy e seus sonhos.

Utilizamos a língua portuguesa como meio, pois a língua  define territorialidade no campo da imaterialidade pela importância de se afirmar através da língua bens simbólicos e constituir assim abrangência irrestrita e pertencimento no sentido de amalgamar e nos constituir parte do tecido nacional de uma forma inclusiva, por se tratar de uma práxis social, uma atividade criadora coletiva, onde nos confundimos, e nela encontramos nossa identidade.

Pretendemos através desta obra resgatar a capacidade de sonharmos na esperança de acordar sensibilidades adormecidas, percepções anestesiadas e assim resgatarmos nossa capacidade  transformadora e realizadora para despertarmos uma nova realidade.

Esperamos despertar o sentimento de poder voar com asas próprias.

Voar através do real pelas Artes e com asas aprendidas, mas livres, pela Educação.

Bons ventos para nossos sonhos!"

Jum Nakao

 

 

A instalaçao fica montada até o dia 8. No encerramento, a rede deve ser aberta e os balões devem se dipersar com o vento.

Mara Gama às 18h53

“Entre sem bater” conta saga da casa própria de Marcelo Rosenbaum

 

 

“Passei por muitos endereços e várias tentativas de compra, sem saber que quando fechasse o negócio toda a minha estrutura seria abalada. O primeiro sinal veio com as águas. Houve vazamentos, problemas com o aquecedor, contas astronômicas. Percebi também como eram grandes as expectativas de todos nós – cada qual à sua moda depositava ali sonhos acumulados e desejos conflitantes. A casa rejeitou nossa chegada. Era preciso pedir licença para entrar.”

Depois de pedir licença, o designer Marcelo Rosenbaum resolveu batizar o seu relato sobre a reforma da casa própria de  “Entre sem bater” (240 págs., R$ 90). O livro tem lançamento hoje na galeria Ziper, em São Paulo (rua Estados Unidos, 1.494, Jardins).

 “Quando me convidaram para editar um livro sobre a nossa casa, a primeira sensação foi: será? Várias vezes eu me perguntei qual o sentido desse trabalho. Conforme as reuniões foram acontecendo e o livro foi tomando forma comecei a entender. Não se tratava de uma espécie de reality show ou exibicionismo. Seria uma forma de compartilhar tudo que envolveu nosso sonho de ter uma casa. Isso poderia trazer inspiração para quem está começando a construir o próprio morar”, prossegue o designer, no texto do livro.

“Entre sem bater” registra o processo de compra e reforma da casa onde mora atualmente Rosenbaum. Traz fotos dos ambientes, mostra mobiliário, objetos, livros, soluções e acabamentos, pontuados por memórias e referências de estilo do designer.

Esotérico, Rosenbaum lança seu convite à visita, na abertura do livro: "Entre e fique à vontade. Mas não se apegue a nada. Assim como os astros e orixás em sua rota pelos céus, assim como a nossa própria passagem pela Terra, tudo está em transformação. E isso é o melhor da vida".

Mara Gama às 16h51

30/11/2010

História, retórica, ética e prática na nova coleção "Pensando o Design", com seis títulos

Um dos volumes da coleção "Pensando o Design"

Planejada pelos organizadores Carlos Zibel, Marcos Braga e Priscila Farias para suprir a carência de livros em português sobre história do design, a relação entre design e tecnologia e a prática do design no Brasil, será lançada nesta quarta, 1º de dezembro, a partir das 18h30, a coleção "Pensando o Design", da editora Blucher. O lançamento será na livraria Saraiva do Shopping Pátio Paulista (r. Treze de Maio, 1.947, Paraíso), em São Paulo.

A coleção nasce com seis volumes: "Video games - História, Linguagem e Expressão Gráfica", de Alan Richard da Luz; "O Design Brasileiro de Tipos Digitais", de Ricardo Esteves; "Metadesign - Ferramentas, Estratégias e Ética para Complexidade", de Caio Adorno Vassão; "Do Desenho Industrial ao Design no Brasil", de Milene Cara; "Tipologia Vernacular Urbana", de Fátima Finizola e "Retórica do Design Gráfico", de Licinio de Almeida Júnior e Vera Lúcia Nojima. Os livros têm entre 80 e 140 páginas e custam de R$ 20 a R$ 25. 

Em entrevista ao Blog Design, a professora Priscila Farias diz que o objetivo da coleção é publicar textos originais, mas acessíveis, sobre temas relevantes para o debate contemporâneo na área.

"Selecionamos trabalhos que possam trazer novas idéias, para alunos, professores e profissionais interessados. Para esta primeira 'fornada' de seis volumes escolhemos trabalhos inéditos, de mestres e doutores. São textos acadêmicos adaptados. Não são reflexões pessoais, especulativas, mas sim resultado de investigações de cunho científico, que passaram pelo crivo não só do orientador, mas também de bancas avaliadoras".

Para Priscila, a existência da coleção mostra que o ensino do design amadureceu no país. "Encontrar tantos textos de qualidade e adequados para um certo escopo editorial, produzidos no contexto acadêmico, é consequência da maturidade e da ampliação da pesquisa na área de design. Em menos de 10 anos, passamos de dois para 12 programas de pós-graduação na área no Brasil. A produção resultante das dissertações e teses, bem como das pesquisas realizadas pelos professores destes programas é riquíssima, embora nem sempre bem divulgada".

O público alvo da coleção são estudantes de graduação e pós-graduação design. "Acredito que a coleção tem qualidade suficiente para servir de referência não apenas para leitores brasileiros, mas também para a comunidade internacional de pesquisa em design, que também cresceu nos últimos anos, e está interessada no pensamento sobre design produzido no Brasil."

Aos seis primeiros volumes, devem se somar não apenas textos integrais, mas também coletâneas, e até traduções. "O espectro de temas que esperamos abordar inclui design visual, design de produto, design para mídias eletrônicas e digitais, design têxtil e de vestuário, design para ambientes construídos, teoria & história do design e design & sociedade, entre outros".

 

 

Mara Gama às 20h21
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Mara Gama é jornalista com especialização em design.

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