
Montagem de estande no aeroporto de Tempelhof, em Berlim, para a exposição do DMY 2011 em Berlim 31.mai.2011 /Mara Gama
Uma citação de Gilberto Gil - Sharing is the nature of creation (compartilhar e da natureza da criação) – inicia o texto de apresentação do The Copy/Culture, Simpósio que acontece dia 4 no Festival Internacional de Design (DMY), em Berlim.
Todo estudante de arte e design já teve algum medo de ser copiado e receio também de que seu trabalho seja cópia do trabalho de outra pessoa. A singularidade da criação está sendo questionada pela possibilidade de que alguém possa copiá-la. E originalidade está no centro da ideia ocidental de criatividade. O simpósio se propõe também a analisar este medo básico. Copiar não tem apenas repercussão legal e cultural – tem aspectos morais e psicológicos, escreve o curador do simpósio, Lucas Verweig.
Patrocinado pelo DMY e pelo instituto holandês de Design e Moda Premsela, o simpósio vai reunir teóricos, professores, curadores de arte e design e designers profissionais de várias áreas para discutir as implicações da era da cópia no trabalho e no mercado e as diferenças culturais entre as noções autenticidade, originalidade, cópia e inspiração.
Que modelos a indústria terá que desenvolver para se adaptar a uma possível realidade de desenvolvimento, produção e distribuição descentralizado e qual será o papel do designer numa nova relação de participação com usuários, produtores, vendedores são duas questões centrais que o simpósio pretende analisar.
Como analisar e tirar proveito do que aconteceu com a indústria musical, onde a digitalização e o livre trânsito das cópias pela internet colapsou o sistema do disco. E do mundo do software, onde que o código aberto (open source) tem sido considerado mais eficaz, inovador e fácil de consertar.
Apesar de ser impossível transpor as experiências, o design aberto parece ser a ideia central para a discussão de copyright, cópia e novos sistemas de produção participativos.

Preparação da instalação do artista Kweng Caputo, convidado pelos curadores do DMY para copiar objetos de designers que participam do festival 31.mai.2011/Mara Gama
Esta e a mais internacional de todas as edições do DMY de Berlim, segundo informam seus curadores na apresentação para a imprensa feita na terça, 31 de maio.
O festival, que nasceu em 2003 e foi fundado por criadores e produtores locais, se tornou um dos mais importantes da Alemanha. No ano passado, atraiu 27 mil visitantes.
Nos últimos três anos, o DMY tem dado destaque a um pais em especial. Este ano, e a Finlândia, porque Helsinque será a capital mundial do design em 2012.
O DMY mantém um premio com júri internacional e abre espaço para participações de galerias e lojas em sua grade de cerca de 50 eventos satélite espalhados pela cidade.
Alem de mais internacionalizada, a edição de 2011 se pretende mais interativa e holística. Laboratórios, palestras e um simpósio multidisciplinar dão o caráter de plataforma cooperativa ao festival.
Apesar do crescimento e da internacionalização, os organizadores ressaltam que o festival faz questão de se manter aberto aos iniciantes e estudantes. E que isso se traduz em não dividir os custos com os participantes. E pedem mais apoio dos políticos da cidade para arcar com a conta. Esta edição tem patrocinadores como Ikea e Mini.
O festival abre neste dia 1 às 20h e termina dia 5.

Como evento paralelo do DMY, Festival Internacional de Design, o artista brasileiro Roberto Stelzer mostrará a partir do dia 1, na loja-galeria The Early Bird Hype, de Berlim, uma série inédita de 10 fotos, realizadas em 2010 e 2011, e impressas em acrílico.
A série é uma síntese de suas pesquisas artísticas que unem o trabalho como criador de histórias e personagens, fotógrafo, pintor e designer de objetos. Os objetos centrais retratados nas fotos são os brinquedos de montar que Stelzer cria para a empresa Troyart.
Stelzer cria cenários e usa diversos materiais para alterar a natureza dos seus personagens.
The Early Bird Hype fica na Rosa de Luxemburg Strasse, 15, em Mitte, Berlim.
O aeroporto que ficou conhecido como "o aeroporto de Hitler" vai receber, de 1 a 5 de junho, o DMY, Festival Internacional de Design, em Berlim.
O evento, que deve reunir cerca de 500 designers e estúdios do mundo todo, vai usar os hangares e o grande hall de Tempelhof para as atrações centrais. Serão mais de 14 mil metros de exposição. Mas o DMY se expandira por toda a cidade, com mais de uma centena de eventos paralelos como lançamentos de coleções, livros, exposições e seminários.
Tempelhof foi construído em 1923. Símbolo do nazismo, foi também marco importante da abertura para o Ocidente. Era o local onde os aviões americanos desciam com mercadorias durante a época da Guerra Fria. Atualmente suas pistas são usadas para esportes.
O DMY vai receber representações de instituições de vários centros importantes de design, como Hong Kong, Taipei, Seul e Buenos Aires.

Do projeto Wooden stories of a concrete world, do grupo grego 157 +173 designers, de Babis Papanikolaou e Christina Tsirangelou
A representação da Finlândia fará uma previa dos eventos que serão apresentados no ano que vem em Helsinque, quando a cidade será capital mundial do design. Seminários sobre materiais também são destaque do festival. Uma área destinada ao design para crianças foi anunciada como novidade do festival.
Clique para ver o video do DesignGuide -
DMY Berlin, Extended gallery tour from robertanderson on Vimeo.
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Mara Gama é jornalista com especialização em design.